1 de jul de 2013

Jeffrey Dahmer: O Canibal de Milwaukee (Pt.4)


Jeffrey Dahmer cometeu uma série de homicídios brutais e com ingredientes bizarros até agora. Nada parecia detê-lo, apesar dos inúmeros erros cometidos pelo assassino. Jeffrey era ajudado pelo desprezo da polícia para com as pessoas que ele havia deixado escapar. Como em muitos casos de assassinos em série mistos, sua captura ocorreu quase por acaso.


(O trecho abaixo se baseia no testemunho de Tracy Edwards no tribunal em 1992).

Em 22 de julho de 1991, Tracy Edwards se reunia com dois amigos, um negro e um branco (claro que isso não é relevante) em um bar de Milwalkee, Wisconsin. Já era fim da tarde, cerca de 18 horas, quando se aproximou do grupo um homem louro, alto, magro e de boa aparência, apesar de está com a barba por fazer. O rapaz era Jeffrey Dahmer. Jeffrey se aproximou do grupo afirmando ser um fotógrafo de Chicago, que estava na cidade visitando sua avó doente. Jeffrey ofereceu seus serviços como “fotógrafo profissional” prometendo pagar 100 dólares para quem topasse posar nu para ele. Sempre é bom ganhar um dinheiro a mais e Tracy acabou aceitando a oferta do estranho rapaz. Os dois seguiram para o apartamento de Dahmer, no Oxford Apartaments. Quando Jeffrey abriu a porta, Tracy sentiu um fétido odor vindo de dentro do apartamento. Jeffrey disse ao homem que seu encanamento havia se rompido, mas que o problema já estava sendo resolvido. A explicação pareceu plausível para Tracy, que, apesar do incômodo cheiro, seguiu com o combinado.

Tracy tirou as roupas e começou a fazer as poses que Jeffrey mandava. Em um momento, Jeffrey Dahmer foi até a cozinha, trouxe uma cerveja e uma coca-cola geladinha. Tracy deteve seu olhar para a direita. Havia um aquário com peixes de rinha iguais aos que Tracy tinha em sua casa. De repente, Tracy sentiu algo gelado em seu braço. Jeffrey estava perto dele e algemou seu braço esquerdo. Antes de esboçar qualquer reação, Tracy percebeu que Jeffrey estava armado com uma grande faca de açougueiro.

Tracy tentou ser o mais amigável possível, vendo a encrenca em que havia se metido. Ele então pensou em pular pela janela, mas isso era impossível. Uma televisão no quarto exibia o filme Exorcista III. Não era uma programação da TV, mas sim uma fita de vídeo cassete. Tracy em nenhum momento tentou lutar com Dahmer. Ele sabia que qualquer movimento brusco poderia significar sua morte. Jeffrey levou Edwards até o quarto, onde os dois sentaram-se na cama. Dahmer apontou a faca para o lado de Tracy. Já era por volta das 19 horas.


O arrumado apartamento de Jeffrey Dahmer. Não havia nada de errado com ele, exceto o mau-cheiro vindo dele.
Jeffrey oscilava entre momentos em que ameaçava Tracy com a faca e momento em que ficava quieto, assistindo o filme. Ele agia de modo estranho em frente a tela. Ficava rosnando e movendo o corpo para frente e para trás, parecia possuído. As cenas de possessão e morte passadas no filme despertavam o interesse de Jeffrey, que voltava e passava as cenas. Dahmer parecia querer imitá-las. Ele segurava a algema com as duas mãos, parecia que a violência era despertada dentro dele. Tracy estava cada vez mais aterrorizado e confuso. Ele tentava, sem sucesso, persuadir Dahmer que ele era amigo. Os pensamentos na cabeça de Edwards mudaram. Ele acreditava que Dahmer era um cara legal, mas agora já não pensava mais assim.

Jeffrey mandou Tracy deitar de bruços, mas o rapaz não conseguiu devido sua estatura. Jeffrey pôs-se a ouvir os batimentos cardíacos de Tracy e Edwards percebeu que Dahmer poderia golpear seu coração com a faca. Tracy propôs que os dois sentassem no sofá e conversassem. Jeffrey sentou-se e Tracy abotoou a camisa. Nesse momento, parece que Jeffrey saiu de si novamente. Tracy pediu para ir ao banheiro e Jeffrey foi até a janela, onde tomava café. Foi aí que o rapaz decidiu fugir. Ele golpeou Dahmer, apanhou sua mochila, e fugiu ainda seminu. Jeffrey tentou agarrá-lo, mas não conseguiu.

Era quase meia noite do dia 22 de julho de 1991, o calor era intenso e as ruas da Avenue West fediam. Dois policiais, Robert Rauth e Rolf Müller, faziam uma ronda pela área. O crime ali grassava. Enquanto estavam próximo da North 25th, Robert e Rolf tiveram sua atenção voltada para um homem negro, baixo, atordoado e olhando para trás. A cena era um tanto incomum, apesar do alto índice de criminalidade no bairro. Por olhar para trás com um olhar assustado, parecia que o homem negro havia fugido de outro policial. Um detalhe a mais confirmava essa ideia: Uma algema que o homem trazia presa ao pulso. Imediatamente, os policiais entraram na viatura e aceleraram, freando bruscamente ao lado do negro. Um deles desceu do carro e parou o homem. Enquanto um policial o revistavam o outro apontava sua pistola para o suspeito. Nesse momento, os policiais perceberam algo estranho no sujeito: Ele tinha um olhar atordoado, parecia que o homem estava com muito medo. Quando perguntado sobre o motivo de está correndo na rua com uma algema pendurada no pulso, o homem disse que um lunático com quem havia tomado café havia o algemado e estava tentando o matar sem nenhum motivo. O nome do homem era Tracy Edwards, 32 anos de idade. Tracy disse que o homem afirmou ser um fotografo e o convidou para tirara algumas fotos. Após chegar ao apartamento, o homem tentou o matar.

Tracy Edward, 32 anos, foi visto vagando pelas ruas com uma algema no pulso.
Apesar de parecer bem convincente, a situação era suspeita demais. Tracy foi levado até a delegacia mais próxima, para explicar sua história ao delegado. Antes, porém, os policiais decidiram dar crédito ao que Tracy dizia e seguiram para o apartamento onde o homem disse ter sido feito refém, localizado na 924 North 25th Street, nos Oxford Apartaments.

Os policiais e Tracy seguiram até o segundo andar e bateram na porta do apartamento 213. Jeffrey Dahmer apareceu. Ele estava com bafo de cerveja, mas se mantinha bastante calmo. Um cheiro horrível foi sentido por todos na porta, mas o apartamento parecia em ordem, limpo e arrumado. Jeffrey deixou que os policiais entrassem na sala e se ofereceu para pegar as chaves da algema em seu quarto. Tracy lembrou aos policiais que Jeffrey mantinha uma faca no quarto, e havia sido com ela que Jeffrey o tentou matar. Rolf decide então ele mesmo ir até o quarto, dando orientações à Jeffrey de que permanecesse sentado no sofá. Jeffrey calmamente obedeceu. Aparentemente, como já havia fugido diversas vezes, Jeffrey acreditou que não seria diferente dessa vez.

O policial entrou no quarto e notou uma Polaroid jogada em cima da cama. Havia também uma faca de açougueiro de cabo plástico azul, a faca supostamente usada na tentativa de matar Tracy. Rolf virou-se para o lado e teve sua atenção voltada para uma parede repleta de fotografias. Fotografias de homens em diferentes estágios de nudez, atos sexuais e cadáveres. Alguns abertos à faca com vísceras expostas ou eviscerados. Corpos mutilados, esquartejados e corroídos por ácido. As fotos foram feitas naquele apartamento. Após ver a fotografia de um homem com o tórax e abdômen abertos e totalmente sem órgãos, Rolf foi até a conzinha. Jeffrey se desesperou, pulou do sofá gritando para o policial não ir ali. Rolf disse ao outro policial: “Ponha as algemas nele!”. Jeffrey Dahmer e Robert Rauth entraram em luta corporal. Rolf correu para ajudar seu parceiro e os dois conseguiram dominar Dahmer.






A série de fotografias em "diversos estágios de nudez" feitas por Jeffrey Dahmer. As fotos chamaram a atenção do policial, que tomou um susto depois de perceber que todas foram feitas naquele apartamento. Tirara fotografias de suas vítimas vivas ou mortas é uma assinatura encontrada em alguns serial killers.
Robert algemava o homem enquanto Rolf seguiu até a cozinha. Quando abriu a geladeira, se deparou com uma cabaça humana e gritou: “Tem uma porra de uma cabeça na geladeira!” Algemado, Jeffrey agia de forma estranha. Ele parecia miar e uivar. A barulheira chamou a atenção de muitos vizinhos, que correram até a porta do apartamento 213 para ver o que estava acontecendo. Entre eles estavam Pamela Bass, que mal podia acreditar que aquele rapaz que havia lhe dado um sanduíche tempos atrás era um assassino. Era o fim da linha para o serial killer.

Logo o motivo do mau odor que era sentido pelos corredores do Oxford Apartaments foi esclarecido. Os dois policiais entraram em contato com o Distrito Policial de Milwaukee. O Distrito entrou em contato com outra viatura, que foi até o local. Um dos policiais na viatura era Patrick Kennedy. Rolf e Robert pediram para que Kennedy isolasse a área para evitar que alguém comprometesse as evidências. Nos momentos seguintes, o Apartamento Oxford estava tomado por curiosos, policiais, peritos vestindo roupas especiais e máscara de oxigênio. Eles retiravam caixas e caixas com pertences e restos humanos. O canal Today’s TMJ4 foi o primeiro a chegar ao local, cobriu o trabalho dos policiais, entrevistou oficiais e moradores do Oxford.
Patrick Kennedy, o policial que interrogou Jeffrey Dahmer. Segundo Kennedy, Jeffrey tinha um olhar de espanto e, aos poucos, percebeu que havia chegado o fim da linha para ele: "Ele suava muito e chorou algumas vezes"
Um dos policiais disse ao canal: "Nós estamos investigando um homicídio, temos um suspeito sob custódia e existe a possibilidade de que esse suspeito esteja envolvido em múltiplos homicídios. Retiramos várias evidências de dentro do apartamento, um barril contendo substância desconhecida, estamos considerando uma cabeça neste momento. Sentimos que esse indivíduo está fortemente envolvido em vários assassinatos. Um indivíduo foi parado pela polícia, e os policiais acabaram indo até o apartamento. Os policiais perceberam itens suspeitos e prenderem o proprietário."

Dois peritos retiram do apartamento de Jeffrey Dahmer um galão azul contendo pedaços de cadáveres decompostos. Eles utilizavam máscaras de oxigênio para se protegerem do odor de carne pútrida.


Bombeiros retiram o freezer do apartamento de Jeffrey Dahmer. Dahmer havia adquirido o freezer com a finalidade de conservar cadáveres ou parte deles.

Restos mortais.


Material apreendido na casa de Dahmer: Fotografia das vítimas feitas pelo próprio assassino, crânios e outros restos humanos conservados e um esqueleto inteiro. Milwaukee nunca tinha visto algo parecido.
A lista de itens encontrados no apartamento de Dahmer sugere o quão bizarro era seu comportamento e suas fantasias homicidas. Começando pela cozinha, encontraram na geladeira uma cabeça humana decepada, dentro de uma caixa de papelão e virada para cima na prateleira do meio da geladeira. A cabeça já estava em decomposição. A geladeira estava suja com respingos de sangue e cheia de condimentos, aliás, um fato curioso: Não havia comida na geladeira, apenas condimentos. Uma caixa de bicarbonato de sódio, inutilmente posta para absolver o odor de decomposição, foi deixada na geladeira. Abrindo o compartimento do congelador, encontraram-se dois sacos presos com elástico. Um deles continha um coração humano, no outro havia pedaços de músculos humanos, prontos para irem pra panela. Na pia, repousava um torso humano, aberto com uma incisão do pescoço até a pélvis. Ao lado, uma tábua de carne com um pênis fatiado, pronto para ser frito.

No freezer de chão, foram encontradas três cabeças humanas escalpeladas. Um saco com órgãos humanos (um rim, partes de intestinos humanos, 1 fígado, pulmões) e um saco contendo um torso humano também foram encontrados. No armário de corredor ao lado, foram encontrados potes de vidro contendo pênis humanos conservados em formol, éter, clorofórmio e álcool. O éter havia sido usado por Dahmer para dopar suas vítimas, mas este se demonstrou ineficaz em relação às pílulas. No mesmo armário, havia uma caixa com dois crânios raspados e branqueados. Uma chaleira metálica contendo duas mãos e órgãos genitais masculinos putrefatos.







Imagens do interior da geladeira de Jeffrey Dahmer. partes de corpos embaladas em sacos plásticos e condimentos. Somente isso na geladeira, nada de alimentos.

No quarto, havia manchas de sangue nas paredes, Na cama, o colchão, lençol e a fronha com manchas de sangue. Uma grande faca de açougueiro, com cabo plástico azul, a mesma usada para atacar Tracy e, provavelmente a usada para cortar a garganta de Ernest Miller. A câmera Polaroid usada por Dahmer para fotografar suas vítimas vivas e mortas. Ao todo, foram encontradas 74 fotografias de rapazes vivos e mortos. Algumas foram feitas enquanto as vítimas estavam dopadas, outras mostravam diferentes estágios do vilipendio dos cadáveres. Uma caixa de metal contendo três crânios humanos, pintados com tinta acrílica cinza também foi encontrada. Dahmer pintou esses crânios para parecer que eles eram de plástico. Ainda foram encontrados no quarto dois sacos de papel: Um continha couro cabeludo seco e outro continha genitais pútridos; Uma caixa de isopor com tampa, cujo conteúdo era dois crânios humanos e por último, o tambor de plástico com três torsos humanos em diferentes estágios de decomposição, sendo dissolvidos em ácido muriático.

Outros itens encontrados incluíam: Um esqueleto completo, diversos restos mortais, um arco de serra, dois serrotes (usados para desmembrar suas vítimas), uma furadeira 3/8 e uma broca 1/16, uma agulha hipodérmica (esses itens foram usados por Dahmer na tentativa de criar zumbis). Pelo menos sete fitas de conteúdo pornográfico, os filmes “O Retorno de Jedi” e “O Exorcista III”. Uma palestra sobre a evolução das espécies, um episódio de “The Cosby Show” e uma bíblia King James Version. Documentos de identidade e cartões de identificação de várias vítimas de Dahmer. Quatro recipientes de ácido muriático, compradas por Dahmer na Ace Hardware poucos dias antes de sua prisão, um jarro de alvejante Clorox e seis caixas de Soilex, misturado à água na fervura e branqueamento de crânios. Purificadores de ar e incensos, usados por Dahmer para suavizar o aroma de carne putrefata.


Esqueleto completo, encontrado no apartamento de Dahmer.

As cenas e fotografias de peritos retirando o freezer e o galão plástico de dentro do apartamento de Dahmer correram o mundo. Moradores do Oxford Apartaments foram entrevistados. Um deles, não identificado disse: "Quando eu acordei, tudo o que eu vi foi a polícia lá dentro, conversas sobre um rapaz branco. Eu realmente não sei muita coisa sobre ele. Sei que é um cara solteiro, trabalha todos os dias e que é solitário. E a última coisa que eu ouvi foi que a polícia abriu a sua geladeira e encontrou um corpo lá dentro. Havia um odor forte sim, eu até reclamei com o síndico a respeito do cheiro. Sua geladeira quebrou uma vez e o síndico o ajudou a limpar e agora parece que havia um corpo lá dentro, é terrível."


Curiosos se amontoam em frente à saída do apartamento Oxford, acompanhando o trabalho da polícia.

Esse mesmo vizinho diria mais tarde: “Agradeço a Deus o fato de eu e Dahmer não nos darmos bem, caso contrário você poderia ver minha cabeça em uma daquelas prateleiras”. Parecia uma observação sinistra, porém verdadeira.
A primeira reportagem sobre o fato foi feita ainda na madrugada, no jornal local:

 “Os Policiais saem com caixas e mais caixas cheias de restos mortais, evidências do que parece ser de um psicopata assassino em série. Autoridades retiraram também um barril azul no que eles acreditam conter ácido e restos de corpos dissolvidos. A polícia procura saber ao certo quantas vítimas foram feitas, segundo algumas fontes o número pode passar de 1 dúzia. Vizinhos disseram que o morador do Apartamento 213 era estranho e que um forte odor saía do seu apartamento. Policiais estão questionando pessoas no prédio e tudo o que se sabe sobre ele é que ele tem 31 anos.”


Mãos, cabeça e pênis de uma das vítimas, encontrados no interior da geladeira de Dahmer. Os vizinho sentiam um cheiro horrível vindo do apartamento de Jeffrey, mas ele sempre dizia que era de carne decomposta. Realmente, era... Carne humana.

No início, Jeffrey Dahmer não falava praticamente nada, apenas resmungava e culpava seu alcoolismo por sua prisão. Algumas horas depois, Patrick Kennedy conseguiu conversar com Jeffrey Dahmer, que decidiu desabafar e confessar seus crimes ao policial. Jeffrey contou em detalhes sua matança, que durou 13 anos. Os detalhes cada vez mais macabros dos crimes fizeram com que o detetive duvidasse das palavras do rapaz louro e de boa aparência. Porém, as inúmeras evidências encontradas no apartamento confirmavam sua história.

Patrick Kennedy chamou outro detetive, o veterano Dennis Murphy, e ambos passaram os próximos dias conversando com o assassino. Dennis até assistiu O Exorcista III e O Retorno de Jedi na companhia do serial killer, que sinalizava quais cenas causavam mais impacto nele. De qualquer forma, Jeffrey Dahmer foi completamente prestativo para com os policiais, não escondendo detalhe algum. Uma confissão completa de todos os 17 homicídios foi feita em questão de 4 dias.


Primeira notícia sobre o caso Jeffrey Dahmer.

Uma análise do caso Jeffrey.

Jeffrey Dahmer se encaixa na categoria de assassino serial motivado por razões sexuais. Embora a maioria de suas vítimas ser formada por negros e isso ser explorado pela mídia de forma sensacionalista, ele não levava em consideração a raça. Jeffrey tinha um padrão de vítimas: Rapazes que, para ele, eram atraentes. No caso de David Thomas, por quem Jeffrey não sentiu ou perdeu a atração, Dahmer o matou para evitar retaliações por parte da vítima. Posteriormente, Jeffrey sentiu prazer durante o desmembramento do cadáver de David. Dahmer era egoísta e não gostava de ser passivo no sexo anal, apenas ativo. Ele só se importava com seu prazer, fazendo com que muitas de suas vítimas fizessem sexo oral nele. A maioria das vítimas de Dahmer vivia na chamada “linha de alto risco”, sendo rapazes marginalizados, homossexuais e usuários de drogas. Esses rapazes vagavam à noite a procura de diversão e dinheiro. Talvez, esse tenha sido um dos fatores pelo qual os desaparecimentos não foram investigados com afinco. Jeffrey Dahmer, como ele mesmo disse, “Levou sua fantasia mais a sério que sua vida real”. Após o caso de Steve Hicks, Jeffrey Dahmer manteve-se no controle, ficando sem matar por 9 anos. No fim de sua carreira criminosa, porém, Dahmer assassinou um jovem por semana. Seu desejo assassino escalou de forma arrepiante e sua sanha assassina tornou-se cada vez mais incontrolável. Jeffrey Dahmer sabia que o que fazia era errado e seus crimes demonstravam sinais de planejamento. Prova disso é o fato de Dahmer atrair suas vítimas e depois dopá-las. Dahmer também tentava esconder seus crimes. Muitos vizinhos afirmam que viram Dahmer abrir a porta apenas o suficiente para passar o corpo e fechar logo depois. Quando perguntado sobre o mau-cheiro, Dahmer alegava que se tratava de carne estragada. Isso demonstra que o assassino.

Jeffrey era um assassino por ato, porém ele não tinha o prazer em simplesmente matar. A morte, segundo suas próprias palavras, era um meio para um fim, isso é notável analisando as tentativas frustradas de se criar um “zumbi” e o desejo de possuir um congelador de animais mortos, o desejo de não causar sofrimento à vítima fez com que Dahmer as matasse por estrangulamento após estarem desacordadas. A finalidade de Dahmer era conseguir um parceiro totalmente submisso e evitar se abandonado novamente. É provável que, se Jeffrey obtivesse sucesso na criação de um zumbi escravo sexual ou se uma de suas vítimas permanecesse com ele por bastante tempo e fosse totalmente submisso à suas vontades, Dahmer pararia de matar (isso é só uma probabilidade). Dahmer obtinha satisfação sexual total com um cadáver. Alguém que, obviamente, não tinha nenhuma vontade. Porém havia um problema: Cadáveres naturalmente se decompõem e era necessário “caçar” novas vítimas para se obter um corpo fresco. Dahmer manteve corpos de algumas vítimas na banheira e os banhava com uma ducha, quando estava impossibilitado de desmembrar.

Na entrevista concedida por Stone Phillips, Dahmer culpa seu afastamento da religião e a crença na teoria da evolução pelos crimes. Segundo ele mesmo: “A teoria de que a vida veio do ‘lodo’ e que depois da morte não havia mais nada” depreciava a vida. É questionável essa afirmação, uma vez que Dahmer, mesmo descrente em um deus pessoal, acreditava existiram forças espirituais. Isso fica evidente no plano de se construir um templo com crânios e esqueletos e no ato de comer partes das vítimas. Se o ateísmo de Dahmer desempenhou algum papel nos crimes, ele não foi o único, nem o principal, fator. É verdade que o templo tinha uma característica mais erótica do que religiosa. De acordo com o Dr. Nichols, o santuário poderia ter ajudado Jeffrey a manter contato com suas vítimas, lembrando do momento que passou junto com ela.

Jeffrey Dahmer era portador de necrofilia, uma parafilia em que o indivíduo sente prazer através de um corpo morto ou parte de um corpo. Lionel Dahmer notou no filho uma satisfação por animais mortos durante a infância. Jeffrey recolhia animais mortos nas estradas e realizava “autópsias”, dessecando e mergulhando em ácido. Depois, enterrava os corpos no quintal, em uma espécie de cemitério.  Na escola, Dahmer tinha boas notas, mas era impopular devido seu fascínio por animais atropelado. Na adolescência, esse fascínio foi erotizado e Dahmer tornou-se um onanista compulsivo. Muitas vezes a masturbação condizia com o momento em que havia dessecado animais. O desejo sexual por cadáveres ficou evidente quando Dahmer desejou roubar o cadáver de um jovem acidentado. A perturbação da identidade de Dahmer incluía a negação de aceitar sua homossexualidade. Sexo com cadáveres era silencioso e possivelmente era uma maneira de negar que ele estava fazendo sexo com homens. Assim, Dahmer exteriorizava a raiva que sentia de si mesmo em suas vítimas. Uma forma de defesa fronteiriça comum. A equipe forense que examinou o apartamento de Jeffrey Dahmer e realizou a autópsia de algumas vítimas concluíram que os homicídios eram enraizados em um ódio inconsciente por suas vítimas, que na verdade era ódio por ele mesmo, resultado de sua homossexualidade ambivalente.

O significado do canibalismo patológico, para Jeffrey Dahmer, era similar ao endocanibalismo de certas tribos nativas da antiguidade. Jeffrey sentia que aquelas pessoas viveriam eternamente através dele, a partir do ato de comer músculos e coração. Essa sensação dava a Dahmer prazer sexual. Também havia nesse ato o sentimento de dominação e superioridade em relação às vítimas, algo notável em outros casos de antropofagia patológica.


Um papel sinaliza a proibição de se entrar no apartamento. O 213 da Oxford  Apartaments havia sido palco de crimes brutais.
O ritual de Jeffrey Dahmer era sofisticado, repleto de detalhes post-mortem. O prazer começava na caçada pelas vítimas, que em geral ocorriam em bares e saunas gays; Passando pelos experimentos médicos, como os da tentativa de se criar zumbi, no vilipêndio dos cadáveres e na própria alimentação. Jeffrey atraía jovens atraentes para seu apartamento, Geralmente se apresentando como fotógrafo e oferecendo 100 ou 50 dólares para que as vítimas posassem para ele. Às vezes usava seu talento para manipulação e seu “teatrinho”, atraindo as vítimas com a imagem de um homem solitário necessitado de companhia para assistir filmes ou beber. Drogava suas vítimas com comprimidos de Halcion triturados na bebida (no início tentou usar clorofórmio, mas não obteve sucesso), as estrangulava (pelo menos em um caso, Jeffrey degolou a vítima) ou submetia a vítima à tentativa de criar zumbi. Jeffrey gostava de estrangular com as próprias mãos, mas em alguns caso usou um cinto ou uma tira de couro para tal. Masturbava-se sobre o corpo, copulava com ele e o guardava para se satisfazer quando bem entendesse.

Estripar o cadáver era um processo detalhado e inteiramente fotografado. Antes, Dahmer mudava as vítimas de posição e fotografava o corpo. Fazia assim para se lembrar de todos os detalhes do ato e sentia prazer cada vez que revivia o momento do homicídio e desmembramento. Abria o tórax da vítima e ficava fascinado pelas cores do corpo, pelo calor ainda emanado pelo cadáver. Segundo seus relatos, a quentura dos órgãos era tão prazerosa, que Jeffrey chegou a fazer sexo com as vísceras de suas vítimas. Depois começava o ato de desmembramento do corpo e Dahmer separava as partes entre úteis e inúteis. Jeffrey guardava as partes importantes para ele e se desfazia das consideradas inúteis dissolvendo-as em ácido. Os restos mortais eram reduzidos à uma espécie de lama fétida, jogada nos ralos ou na privada.

Dahmer decapitava as vítimas. A cabeça era outra parte que lhe proporcionava prazer. Jeffrey segurava a cabeça das vítimas com uma das mãos e se masturbava com a outra. Descarnou algumas cabeças através do processo de fervura. Dahmer guardava os crânios como troféus. Ele os pintava com tinta spray cinza para que parecessem de plástico, colocava-os na estante e se masturbava em frente a eles. Os órgãos genitais eram mantidos em formol ou clorofórmio. Dahmer se masturbava em frente às fotos.

Comer a carne das vítimas também era um ritual feito por etapas. Primeiro, Dahmer usava um amaciante de carne. Refogava a carne com vegetais, sal, pimenta e molho barbecue. Dahmer bebeu sangue, mas não havia gostado do gosto. Pedaços de carne humana foram guardados em sacos plásticos para que Dahmer comesse mais tarde.

Opinião dos especialistas.

Dr. James Fox, especialistas em serial killers, afirma que Jeffrey Dahmer era um tipo raro de serial killer: “Ele se adéqua no estereótipo de alguém que está fora de controle e sendo dominado por suas fantasias. A diferença é que a maioria dos serial killers para de agir depois da morte das vítimas.
Eles amarram as vítimas pois gostam de vê-las gritar e implorar por suas vidas. Isso faz com que o assassino se sinta grande, superior, poderoso, dominante… No caso de Dahmer, todo o seu prazer vinha após a morte… toda sua diversão começava após as vítimas estarem mortas. Ele levou uma rica fantasia de vida que se concentrou em ter o controle completo sobre as pessoas…
“Essa vida de fantasia, misturada com ódio, talvez o ódio de si mesmo, fez com que ele projetasse isso em suas vítimas. Se ele sentia um desconforto com sua orientação sexual, é muito fácil de vê-la projetada nessas vítimas. Punir elas era uma forma indireta de punir ele mesmo”.
Apesar de não ter a tortura como motivo principal para seus crimes, aliás, Jeffrey queria evitar o sofrimento, o psiquiatra forense, Michael Stone, criador do índice da maldade (Uma escala que classifica os criminosos de 1 a 22, com base nas circunstâncias dos homicídios), classificou Dahmer como nível 22 (assassinos em série que matam por tortura) em seu índice. “Dahmer não queria torturar ninguém, porém sues experimentos de criar zumbis fizeram com que muitas de suas vítimas tivessem um fim devagar e doloroso.”
Patrick Kennedy, o já citado detetive responsável pelo caso, disse: “Dahmer disse que não gostaria de machucar ninguém, é tão estranho quanto parece, mas essa é a razão pela qual ele matou por estrangulamento todas suas vítimas. Ele não tinha prazer no ato do assassinato em si, mas essa foi a maneira mais humana que ele encontrou.” 
Park Dietz, psiquiatra de acusação disse: “Não o considero (Dahmer) um sádico. Ele não praticou tortura e tomou medidas para evitar o sofrimento das vítimas.”
Jack Levin, professor de criminologia da Universidade de Northeasten Boston, disse: “A maioria dos serial-killers são mentirosos patológicos. Dahmer era diferente. Ele estava disposto a revelar suas experiências com as mortes, e nós pudemos aprender muito com ele.”
Rumores sobre Dahmer.

O caso de Dahmer foi um prato cheio para jornais e redes de TV. E como sempre acontece em casos de grande impacto, não demorou muito para surgirem rumores. Alguns era resultado da simples confusão, outros foram criados para dar um ar ainda mais macabro ao caso.
Um desses rumores dizia sobre a infância de Dahmer, o mostrando como um menino torturador de animais. Isso é falso. Dahmer tinha interesse por animais mortos, mas ele apenas dessecava animais que encontrava atropelados por estradas. Dahmer não sentia prazer em matar animais. Outro é relacionado ao seu modus operandi e diz respeito às ferramentas usadas por Jeffrey. É dito que Jeffrey usava uma serra elétrica para destrinchar cadáveres, mas esse rumor também se mostra falso. Foram encontrados três serrotes (no inglês: hand saw), uma faca de açougueiro e uma furadeira, entre as ferramentas de Jeffrey. Não é citada nenhuma serra elétrica.
O terceiro rumor (já foi citado algo a respeito a cima), é sobre as vítimas de Dahmer. Alguns veículos da mídia enalteceram o fato de muitas vítimas serem negras, dando uma motivação racial para os crimes. É verdade que Dahmer, após deixar a prisão da primeira vez, demonstrou certo racismo, aliás, na cadeia, Jeffrey Dahmer disse a um companheiro de cela, em 1988, que, se pudesse, “mataria 100 negros”. Alguns de seus colegas de trabalho e alguns parentes alegaram ver Dahmer resmungando sobre negros, usando expressões racistas. A própria madrasta de Dahmer, Shari afirmou que o comportamento de Dahmer mudou após sua primeira prisão: “Algo aconteceu com ele, porém ele nunca conversou a respeito. Todo mundo sabe o que acontece com um molestador de crianças na cadeia (ela refere-se ao período em que ele ficou preso em 1988). Eu não sei se isso aconteceu, mas quando ele saiu, ele estava diferente, não conversava e passou a odiar negros.” No entanto, não podemos definir os crimes de Dahmer como sendo de ódio racial, uma vez que nem todas as vítimas de Dahmer foram negras. Jeffrey disse à Stone Phillips que o motivo para matar aqueles rapazes não foi a cor de suas peles, mas sim a boa aparência deles. Dahmer se sentia atraído por suas vítimas.
Também existem relatos de que Dahmer havia sido molestado por um vizinho durante a infância, mas isso também se mostrou falso. Nem Jeffrey nem Lionel confirmaram a história.
Confissão de Dahmer.

Dahmer deu aos detetives uma confissão completa. Ele começou pelo assassinato de Steven Hicks, ocorrido enquanto morava sozinho, havia cerca de 17 anos. Dahmer fez um mapa da área onde atirou os pedaços de Hicks e peritos foram até o local. Cerca de 50 ossos, a maioria humanos foram encontrados. Costelas e fragmentos de vértebras, principalmente.



Um perito procura por vestígios humanos no local onde Dahmer afirmou ter jogado o cadáver de Hicks. Cerca de 50 ossos e fragmentos foram encontrados.
Jeffrey confessou seus crimes um a um. A medida que ia citando os nomes das vítimas, as famílias eram notificadas. Inúmeros desaparecimentos foram elucidados. Para as famílias que esperavam encontrara seus parentes vivos, essa foi uma péssima notícia. Uma das famílias a receber a notícia foi a de imigrantes laocianos, parentes de Konerak Sinthasomphone, quatro dias após a prisão. A notícia caiu como uma bomba, uma vez que Saravane havia sido molestado por Dahmer.
A mãe de Dee, Somdy, desmaiou pelo menos três vezes e teve que ser hospitalizada. Os outros membros da família ficaram desolados e não falavam com ninguém. Quem se manifestou em nome da família foi o pastor Peter Burns: “Tudo o que posso dizer é que a família está desolada pela notícia, isso é tudo o que eu posso dizer.
Dahmer narrou um a um os seus assassinatos. E à medida que os corpos eram identificados, começava a notificação às famílias. Em 26 de julho de 1991, 4 dias após a prisão de Dahmer, notícias sobre Konerak Sinthasomphone foram disponibilizadas pela polícia. Dahmer havia confessado o assassinato do garoto asiático. A notícia caiu como uma bomba para a família e também para os policiais John Balcerzak e Joseph Gabrish.


Moradores de Milwaukee protestam indignados com o descaso da policia no caso Konerak.
Somdy Sinthasomphone, mãe de Konerak, começou a tremer ao receber a notícia, desmaiou 3 vezes e foi levada ao hospital. Seu marido, Sounthone Sinthasomphone, era a imagem da desolação, sentado em uma cadeira na sala de sua casa, não falava com ninguém, apenas olhava para o nada. Seus 7 irmãos (4 homens e 3 mulheres) choravam compulsivamente. A polícia informou que restos mortais de Konerak foram encontrados no apartamento do acusado, isso incluía o crânio de Dee.


Um altar feito em homenagem ao menino Dee Konerak.
Lionel estava trabalhando quando sua esposa, Shari ligou e o informou. A notícia era terrível demais para ele. O pai a madrasta de Jeffrey foram o visitar na cadeia. Lionel viu que seu filho estava com o cabelo desgrenhado e barbudo, um sinal do estado de degradação em que sua vida havia entrado.
Em 6 de setembro de 1991, Phillip Arreola, Chefe do Departamento de Polícia de Milwaukee despediu John Balcerzak e Joseph Gabrish, além de suspender um terceiro policial. Phillip entendeu que os oficiais não agiram corretamente ao entregaram o menino à Dahmer. Jeffrey Dahmer poderia ter sido parado se os policiais não fossem preconceituosos e rígidos na construção de estereótipos de boas ou más pessoas.


John Balcerzak (a frente, de cabeça baixa) e John Gabrish são filmados e fotografados enquanto deixam o departamento de polícia. O dois foram afastados da polícia por negligência, após entregaram Konerak Sinthasomphone nas mãos de Jeffrey Dahmer. Jeffrey tentou transformar o menino em zumbi, mas o experimento não deu certo. Konerak foi morto e teve seu crânio pintado de cinza. 
O Canibal de Milwaukee aparece pela primeira vez.

A America inteira virou as lentes de suas câmeras para Milwaukee. O caso Dahmer ganhou às capas de jornais e revistas do mundo todo, entre elas a Newsweek e a People, que enviaram repórteres à cidade. No Brasil, o Jornal Folha de São Paulo, do grupo Folha, noticiou o caso. Uma matéria também foi feita pela revista Veja. O povo queria ver quem era aquele homem acusado por crimes tão terríveis, chamado pela mídia de “Monstro de Milwaukee”.
Em 25 de julho de 1991, Jeffrey Dahmer apareceu em público pela primeira vez, sete dias após ser preso. Ele vestia uma camisa branca com listras verticais azuis. Emissoras de todos os Estados Unidos transmitiram sua entrada no tribunal ao vivo. Neste mesmo dia, muitas de suas vítimas foram identificadas.





Imagens da primeira aparição pública do "Canibal de Milwaukee"
Dahmer era acusado de 4 homicídios. O advogado escolhido para defendê-lo foi Gerald Boyle, contratado por seu pai. O juiz elucidou para Dahmer que ele poderia pegar prisão perpétua para cada um dos crimes do qual era acusado. A fiança fixa para o canibal era de 1 milhão de dólares, fiança que com certeza ele não poderia pagar.



Jeffrey Dahmer, ao lado de seu advogado, Gerald Boyle.
A mídia caía em cima de Lionel e explorava ao máximo a vida dos Dahmers. Lionel foi muito criticado. Para muitos, ele havia sido o culpado pelos crimes de Dahmer, mas o patriarca dos Dahmers permanecia firme e enfrentava a todas as acusações com a cabeça erguida. “Ele não é um monstro”, dizia Lionel. Morando na casa de sua mãe, Lionel teve que desafiar a curiosidade de jornalistas que se posicionavam em varandas vizinhas ou invadiam o quintal. A situação era insuportável, mas Lionel aguentou a tudo.
Julgamento de Dahmer.


Tribunal de Justiça em Milwaukee, onde Jeffrey Dahmer foi julgado.
O juiz Lawrence  C. Gram.

1 mês após a prisão de Jeffrey Dahmer, em 22 de agosto de 1991. Jeffrey Dahmer compareceu no tribunal, dessa vez com o uniforme cor laranja da prisão, para suas três últimas acusações das 15 de assassinato. Dahmer recebeu sua 16ª acusação de assassinato posteriormente, acusado pelo assassinato de Steven Hicks. O outro crime confesso pelo canibal não lhe rendeu acusação, pois não se encontrou evidências suficientes para o ligá-lo ao caso. A fiança do serial killer foi mudada para 5 milhões de dólares. Jeffrey Dahmer ouviu calmamente quando o juiz lhe informou que ele poderia pegar prisão perpétua por todos os casos em que era acusado. O fórum ficou lotado de curiosos que se amontoavam para ver o réu.



Jeffrey Dahmer comparecendo no tribunal para suas três últimas acusações. Dessa vez, Dahmer usava o uniforme da prisão e estava barbeado e penteado.
Em 23 de janeiro de 1992, contrariando a orientação de seu advogado, Jeffrey Dahmer se declarou culpado, porém insano. Como em muitos casos de assassinato em série, o apelo à insanidade foi usado como defesa. Seria Jeffrey Dahmer realmente um insano? O advogado de defesa de Dahmer, Gerald Boyle, agora teria que mudar suas argumentações e tentar provar que Jeffrey Dahmer estava ou era insano e não cruel, uma tarefa um tanto difícil. Talvez Dahmer já sabia que não seria considerado insano e assumir a culpa seria uma forma de conseguir uma punição que, para ele, era adequada: A pena capital. Uma forma de não se safar novamente. Dahmer disse ao seu advogado: “Isso tudo é culpa minha. Existe um momento em que é preciso ser honesto”. Porém, para Lionel, que conversou com o filho horas depois de sua prisão, não havia dúvidas de que Dahmer era insano e precisava de tratamento adequado, não pena de morte.
A alegação de insanidade não necessariamente é a prova de que o indivíduo é louco, mas sim que, durante seus crimes, o acusado não gozava de todas as suas faculdades mentais, não distinguindo entre o certo e o errado. A questão, agora, não era mostrar que Dahmer era um pervertido e tinha bizarras motivações, mas sim se ele entendia se o que estava fazendo era certo ou errado. Menos de 1% dos serial killers condenados são legalmente insanos e 1 a cada 10 assassinos comuns são mandados para clínicas psiquiátricas ao invés da cadeia. A insanidade , como vemos, é algo raro e advogados tendem a considerá-la como último recurso.




Jeffrey Dahmer chega ao tribunal para seu julgamento. Contrariando as recomendações de seu advogado, Jeffrey Dahmer se considerou culpado.
Diversos psiquiatras foram chamados, tanto pela defesa, quanto pela acusação. O advogado de defesa deveria mostrar de quais doenças mentais Dahmer era portador, além de provar que ele tinha ou não noção de o que fazia era certo ou errado, provar a ilicitude de seus atos. Isso seria uma missão difícil, pois havia evidências os suficiente de que Dahmer estava ciente de seus crimes e ágil com premeditação. O modo como adquiriu Halcion e o fato de dopar suas vítimas com pílulas trituradas na bebida; O modo como abordava as vítimas, oferecendo dinheiro para atraí-las até seu apartamento. O fato de adquirir ácido para dissolver os corpos, facilitando no despejo; O modo como mentiu para os policiais no caso do menino Konerak; O testemunho de vizinhos, que afirmaram ter visto Dahmer abrir a porta o mínimo para passar o corpo e fechar rapidamente, evidência de que Dahmer sabia que deveria esconder os corpos de suas vítimas, entre outras evidências. Seria difícil convencer o júri de que Dahmer era insano.
Do outro lado, na promotoria, estava Michael McCann, que precisava provar que Dahmer não era um insano – Que ele sabia perfeitamente de que o que eles estava fazendo era errado, mas de qualquer forma fez. Em outras palavras, Dahmer era um psicopata cruel que atraiu suas vítimas e as assassinou a sangue frio. O conjunto de jurados foi avisado: “Vocês irão ouvir falar de coisas que, provavelmente, não sabiam que existia no mundo real. Neste caso, vocês irão ouvir sobre a conduta sexual antes da morte, durante a morte e após a morte. Será tão nauseante que alguns não serão capazes de ouvir, disse Gerald Boyle. Juntos, promotor e advogado de defesa descartaram os jurados considerados preconceituosos com homossexuais e sem utilidade para os psiquiatras.
Anne Schwart lembra-se que no segundo dia da seleção do júri, os jurados foram chamados para a sala. Gerald Boyle levou um tablóide com a notícia: “Assassino canibal come seu companheiro de cela”. “Todos rimos. Inclusive Jeffrey Dahmer... Ele era atraente quando ria... Eu pude perceber como tantos foram enganados por ele”, disse Anne em seu livro: “The Man Who Could Not Kill Enough” (O homem que não pôde matar o bastante).
Em 29 de janeiro de 1992, foram selecionados os jurados e dois suplentes. Apenas um deles era negro, que causou polêmica e protesto de membros das famílias das vítimas. Todo processo foi seriamente polarizado à comunidade como sendo uma questão racial, desde o momento em que se ouviu a história de Glenda Cleveland, até a descoberta de que a maioria das vítimas de Dahmer era formada por negros. Um júri formado por sete mulheres e seis homens caucasianas era apenas um exemplo de injustiça racial.
As emissoras de TV voltaram suas câmeras pra o tribunal. Cães farejadores e detectores de metais foram utilizados e o esquadrão anti-bombas estava presente. Michael MaCann temeu que a cobertura intensa feita pela mídia servisse como aula de como dopar e assassinar pessoas.


Cela onde Jeffrey Dahmer foi mantido preso.






Segurança máxima: detectores de metais e cães farejadores no tribunal.
Em 30 de janeiro de 1992, teve início o julgamento de Jeffrey Lionel Dahmer, que duraria cerca de duas semanas. Jeffrey era mantido atrás de um vidro à prova de balas. A defesa tentaria provar que Jeffrey era insano através das características consideradas evidências, como o canibalismo, a necrofilia, crânios e órgãos como troféus, experiências fracassadas de se criar zumbis, desmembramentos, lobotomias, a intenção de criar um santuário e possíveis ligações com o satanismo. O destino de Dahmer estava nas mãos dos jurados, que poderiam mandá-lo para a prisão ou para uma clínica psiquiátrica. Se Jeffrey fosse considerado insano e mandado para a prisão, ele poderia ser solto após receber tratamento adequado.

Uma forma de humanizar Jeffrey Dahmer, de impedir que as pessoas o vissem como um bicho-papão, mas não um humano, foi contar parte de sua infância. Talvez algumas chaves para a natureza dos crimes de Dahmer estivessem nela. A defesa convocou 45 pessoas para testemunharem e atestarem o bizarro comportamento de Dahmer. Tal comportamento seria fruto de distúrbios mentais e sexuais do réu, o que o levaria a cometer os crimes e isso era prova de que, durante os homicídios, Dahmer não gozava de sua sanidade. Uma frase que marcou foi a de Gerald Boyle, advogado de defesa, que perguntou: “Ele é louco ou cruel?”
Michael McCann, no entanto, disse:


Michael McCann, promotor de acusação.
“Ele era um mestre na manipulação, enganou a todos, ele sabia exatamente o que ia fazer, cada passo, cada caminho, era capaz de transformar seus impulsos e deslizar em sua conversa tão facilmente como nós ligamos um interruptor. Ele atacou outros soldados enquanto esteve no exercito? Outros estudantes enquanto esteve na Universidade do Estado de Ohio? As mortes não foram causadas pela ação de um louco, mas pelo resultado de um plano altamente meticuloso.”
Pela primeira vez, no tribunal, era lido o relatório das confissões de Dahmer, quase 200 páginas, contendo os detalhes de fantasias bizarras. Era a primeira vez que os detalhes das mortes vinham a público.
Lionel disse: “Nós não sabíamos, ninguém nos disse, ninguém nos preparou para nenhum desses detalhes. Como isso pôde acontecer ? Como eu não soube disso antes ?” 
Já Shari Dahmer afirmou: “Era uma situação muito difícil, estávamos cercados por parentes das vítimas. Uns sentavam ao nosso lado, outros pediam que nós saíssemos. Nós não podíamos estar lá, mas tínhamos que estar lá.” 
O detetive Dennis Murphy, leitor da confissão de Dahmer e que passou um tempo com o serial killer leu no tribunal:


Dennis Murphy, lendo as confissões de Jeffrey Dahmer.
“A vida familiar no início era extremamente delicada, ele afirma que atenção vinha a partir da relação que existia entre sua mãe e seu pai; Ele afirmou que eles eram aconselhados e discutiam; Ele afirmou que sua mãe parecia ter alguns problemas psiquiátricos e na verdade ela tinha sofrido vários colapsos durante a sua infância. Ele afirmou que ela estava usando um medicamento e ia muito ao médico na época. Ele afirmou que foi advertido por parentes que sua mãe sofria de depressão pós-parto depois que ele nasceu e disse que isso indicava, pelo menos em parte, o péssimo estado do casamento de seus pais.

Ele afirmou que acredita que sua mãe entrou em depressão após seu nascimento e nunca se recuperou e, portanto, ele sentiu um certo momento de culpa em relação a essa sua má experiência. Ele disse que era um adolescente de 15 ou 16 anos, quando percebeu que era homossexual, ele nunca teve qualquer interesse em mulheres, não tinha ideia de porque era homossexual, ele afirma lembrar quando nos tempos da escola durante seus anos de adolescente de que se sentia atraído apenas por homens. Ele disse que neste momento ele começou a fantasiar sobre a morte de seres humanos. Ele também começou a pegar os animais que eram encontrados na estrada mortos por atropelamento e trazê-los para casa, ele usava uma faca para cortá-los, abri-los e ver como eles eram por dentro. Naquela época sua mãe levou seu irmão mais novo, que era praticamente 16 anos mais novo que ele e se mudou deixando-o sozinho em casa. Ele disse que neste momento ele começou a ter fortes sentimentos sobre ser deixado sozinho e foi neste momento que ele se lembra de ter fortes desejos por assistir pessoas o deixando. Ele afirmou que, neste momento ele começou a comer a dormir sozinho à noite, ele ainda indica que neste momento de sua vida conheceu o álcool, ele tornou-se um consumidor pesado de álcool e até começar a abusar do álcool regularmente.”


Judith Becker, psicóloga de defesa, leu sobre o caso Dahmer/Hicks:


Judith Becker, psicologa de defesa de Dahmer: Professora de Psiquiatria e Psicologia da Universidade do Arizona, especializada na avaliação e tratamento de parafilias. A Dra. Becker, em seu depoimento, discutiu sobre a infância de Dahmer na maior parte do tempo, citando inúmeros casos em que percebia graves e devastadoras conseqüência para ele, tanto física como emocionalmente. O resultado, de acordo com a médica, era um indivíduo profundamente perturbado, cujas percepções e minímas interações com o mundo foram distorcidas. Apesar de muito perspicaz, Dr. Becker tinha pouco valor científico para oferecer.
Judith:No verão de 1978 ao amanhecer, ele então tinha um carro e estava saindo sozinho da casa. Ele tinha bebido e estava retornando para casa quando viu um carona, o carona não estava usando camisa e ele debateu se ia ou não pegá-lo, ele finalmente decidiu escolher este homem acima, o nome do homem era ... hummm tudo bem mencionar o nome das vítimas?

Juiz: Sim.

Judith: O nome dele era Stephen Hicks, aproximadamente 19 anos de idade. Stephen Hicks entrou no carro e decidiu voltar para a casa de Jeffrey com ele. Jeffrey informou que eles conversaram e fumaram um pouco de maconha, ele informou que era claro para ele que Stephen Hicks não era gay, mas ele queria mantê-lo lá, quando Stephen estava sentado na cama, Jeffrey bateu-lhe na cabeça e estrangulou-o com o haltere. Jeffrey lembra de ter fumado um ou dois baseados e havia consumido o pacote de 12 cervejas naquele dia. Na manhã seguinte, ele foi até a loja e comprou uma faca de caça grande, foi para o porão e esquartejou o corpo. Ele cortou os braços e pernas, ele lembra-se de abrir a barriga.”...

Em cada uma das acusações, Judith leu o ocorrido na noite dos crimes, conforme Dahmer havia compartilhado com ela.


Lionel e Shari Dahmer, pai e madrasta de Jeffrey Dahmer comparecem ao julgamento: "Ele estava a nossa frente, de costas para nós"... "Foi difícil encarar as famílias das vítimas".
Durante o julgamento, Jeffrey Dahmer permaneceu de cabeça baixa e olhar vazio.
Dr. Frederick S. Berlin.

Outro psiquiatra responsável pela defesa foi o Dr. Frederick S. Berlin, contratado por Lionel Dahmer. Frederick é especialista em criminosos sexuais e comportamento sexual aberrante, sendo diretor da clínica de Desordem Sexuais da Universidade John Hopkins e Conselheiro do subcomitê do DSM-III-R para definição de distúrbios sexuais.
O Dr. Berlin testemunhou que Jeffrey Dahmer não era capaz de conformar sua conduta no momento em que cometeu o crime, pois sofria de uma parafilia aguda, mas especificamente, necrofilia. Para ele, Dahmer tinha uma mente desestruturada, sendo impossível, para ele, parar de pensar em sexo com cadáveres. Conforme suas palavras: Nem sempre é possível controlar o que vem a sua mente”. Michael McCann, após por em dúvidas a capacidade profissional e integridade do Dr. Berlin, atacou a forma com a qual ele realizou sua avaliação. Psiquiatra e promotor travaram uma verdadeira guerra de argumentos:
McCann: “Quanto tempo você conversou a respeito do histórico familiar?
Fred Berlin: “Cerca de 15 minutos”
MC: “Entre 0 e 18 anos de idade?”
FB: “Não estou escrevendo a biografia dele.”
MC: “Sobre o que você conversou após o histórico familiar? Quanto tempo levou essa conversa?”
FB: “Sobre sua vida pessoal... cerca de Maira hora. Minha avaliação durou cerca de 5 horas no total, talvez 6. Não estou querendo ser evasivo.”
MC: “A gravação mostra 4 horas e 45 minutos. A conversa sobre a vida familiar e história pessoal durou cerca de 45 minutos, sobrando 4 horas. Então você falou sobre os homicídios por cerca de 15 minutos cada?
Dr. Berlin continuou seu relato. O promotor McCann conseguiu conduzir o psiquiatra a admitir que Jeffrey Dahmer era mentiroso, o que acabou se tornando uma arma da acusação, não da defesa. Mais tarde, foi dada ao psiquiatra a oportunidade de esclarecer o ocorrido. A verdade é que, mesmo que uma pessoa seja mentirosa ou mesmo consiga agir racionalmente, ela não necessariamente seja sã.

Carl M. Wahlstrom Jr.

Para o psiquiatra forense Carl M. Wahlstrom Jr. da Rush University Medical Center, alegou que Dahmer era um homem com 31 anos de idade com um longo histórico de doenças mentais graves, que nunca foram tratadas adequadamente. A estrutura de sua personalidade era extremamente primitiva, com idéias bizarras e delirantes. Para o psiquiatra, o desejo de Dahmer criar um zumbi e a intenção de criar um altar com restos mortais, uma forma de se conectar com suas vítimas, indicam claramente que Jeffrey Dahmer era um delirante patológico, um psicótico. Para o psiquiatra, as doenças mentais das quais Dahmer era portador necessitava de um tratamento contínuo.

Fedrick Fosdel.

A acusação também chamou psiquiatras. Entre eles estava o Dr. Fredrick Fosdel, que entrevistou Jeffrey Dahmer em 4 ocasiões, sem cada entrevista realizada em um mês diferente. Ao fim, o psiquiatra somou uma entrevista de 17 horas com o serial killer.

Durante o interrogatório, Gerald Boyle perguntou ao psiquiatra se Jeffrey Dahmer era necrofilo, ao que Fosder respondeu:

“Sim, mas essa não é sua preferência sexual primária”

Boyle então perguntou qual termo seria mais adequado para descrever alguém cuja preferência sexual era por pessoas desacordadas, em estado de coma, ao que Fosdel respondeu: “Não há nome para isso”. O advogado de Dahmer começou então a ler uma cópia do DSM-III-R (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), leu diversos artigos de várias categorias catalogadas, Ficando ao Dr. Fosdel o papel de dizer quais as características que Dahmer não apresentava. Assim, por eliminação, Fosdel deixou a doença de Jeffrey identificada. Ele parou e pensou por um moemento. Após uma longa pausa, Fosdel disse:

“Eu admito que ele é portador de uma doença mental”

No entanto, o psiquiatra não admitiu que Dahmer era insano. De acordo com Fosdel, a doem]nça não interfere na capacidade do réu se conformar ou questionar sobre suas ações. Boyle então mudou seu raciocínio para outra linha de questionamento:

Boyle: “E sobre o desejo de criar zumbis? Você considera isso um pensamento delirante?”

Fosdel: “Não. Foi uma tentativa prática e razoável de se chegar em um objetivo.”

GB: “Você já conheceu alguém que tenha lobotomizado suas vítimas antes?”

FF: “Não. Eu nacredito que essa é a primeira vez internacionalmente. O Sr. Dahmer está definindo alguns precedentes aqui.”

GB: “Não poderia ter funcionado, não é mesmo? Você é médico, você com certeza sabe.”

FF: “É possível”

GB: Perguntou-lhe por quanto tempo ele tentou criar um zumbi? Você acredita que se ele tivesse criado um zumbi, ele nunca mataria novamente?”

FF: “Absolutamente, essa seria a solução de seu problema. Absolutamente”

O Dr. Fosdel compartilhou sua crença de que Dahmer não era tinha doença mental ou algum defeito no momento em que cometeu os assassinatos. Ele descreveu Jeffrey como alguém cruel, cauculista, astuto que se aproveitou de homens fracos em momentos em que eles estavam vulneráveis e com necessidade de se libertarem sexualmente. Fosdel retratou Jeffrey Dahmer como alguém despreocupado pelas suas ações, que não se escandalizava com seus atos e sem nenhum pingo de empatia com suas vítimas. Na entrevista concedida ao Dr. Fosdel, Dahmer assumiu total responsabilidade de seus atos para o psiquiatra, inocentando seus pais de seus crimes.

“Eles (pais) não tem nada com isso. Existe apenas uma pessoa para culpar e é essa pessoa que está sentada na sua frente, ninguém mais. Eu tive escolhas para fazer e eu fiz as escolhas erradas.”

Fredrick perguntou a Dahmer por que ele escolheu matar, ao que Dahmer respondeu falando sobre sua terceira vítima: James Doxtador. Segundo Jeffrey Dahmer, se ele tivesse cooperado, não haveria necessidade de matá-lo. A única maneira de se obter o domínio completo sobre alguém era matando. No entanto, na opinião do psiquiatra, Jeffrey Dahmer teve suas ações homicidas potencializadas pelo abuso em álcool. Dahmer ingeria cerca de 10 latas de cerveja, além de doses exageradas de uísque. Segundo Fosdel, Jeffrey Dahmer estava embriagado ao matar. Tão bêbado, que nem se recordava do momento em que foi conduzido até a delegacia na madrugada em que foi preso.

O psiquiatra salientou, também, a sexualidade desenfreada de Jeffrey Dahmer, que tomou conta dele desde a adolescência. Suas fantasias sexuais tomavam conta de sua mente durante dias inteiros:

“Seu desejo lascivo sobrepunha qualquer escolha moral normal. Sexo era a única coisa que dava um sentimento de satisfação para ele.”

Dahmer alegou a facilidade de matar suas vítimas. A partir da sétima vítima, segundo ele, não houveram mais lutas corporais. Dahmer tinha total controle da situação. Tempos antes de ser pego, porém, Jeffrey Dahmer começou a se cansar de ter de se livrar dos cadáveres e do fedor que eles exalavam. Dahmer também não sentia prazer em matar. Isso o levou a realizar experimentos de criar zumbis, segundo o psiquiatra.

“Eu não queria ter que ficar matando e no final terminar somente com um crânio … eu estava tentando pensar em uma maneira de não ter que matá-los … Eu queria um efeito indeterminado … assim eu não teria que ter de ficar saindo para procurar parceiros … Foi por isso que eu tentei a técnica de perfuração … para que eu pudesse manté-los vivos, interativos, mas nos meus próprios termos”, disse Dahmer a Fosdel.

Como já relatado, para o psiquiatra, Dahmer queria um parceiro vivo e totalmente submisso, mas nunca encontrou. O próprio assassino admitiu ter tido relação com mais de 100 homens de Chicago e Milwaukee desde o ano de 1985, tendo preferência pelo rapazes de Chicago. Segundo Dahmer, as boates de Chicago também eram melhores e havia mais variedade. O problema, para ele, era que a maioria dos rapazes de Chicago não tinham tempo para acompanhá-lo até seu apartamento.



Um cartaz com os nomes das vítimas e as datas em que foram mortas foi posta em frente ao promotor McCann. A cada acusação, o promotor começava por “Não se esqueça” e falava o nome da vítima e levantava sua fotografia. Em um momento, durante a acusação do assassinato de Steve Tuomi, McCann disse:

 "Isto tem que ser perguntado: Por que essas pessoas morreram? Nós não vimos seus parentes vir testemunhar. Nós não ouvimos os fatos em grande detalhe. Eu não quero esquecer, eu não quero que vocês esqueçam delas. Às vezes, quando estou no meu trabalho, eu realmente vejo as pessoas muito preocupadas com a defesa. Com o que aconteceu com o acusado. As vítimas estão lá, elas dizem: ‘E quanto a mim? E quanto a mim?’ Não se esqueça de Steven Tuomi, que morreu no Ambassador Hotel, com o réu."



Um cartaz com o nome das vítimas e com as datas em que foram mortas.

Park Elliot Dietz.


Park Elliot Dietz, o principal psiquiatra de acusação fala ao tribunal. Park passou várias horas na companhia do serial killer na tentativa de compreender seus crimes. Os dois até assistiram "O Exorcista III", Hellhaiser porno gay" e "O Retorno de Jedi", filmes cujas cenas tinham impacto em Dahmer.

O psiquiatra forense e criminalista Park Elliot Dietz, outro psiquiatra chamado pela promotoria, conversou com Dahmer por um longo periodo de tempo. Ele acreditava que o réu não sofria de nenhuma doença mental, pois seus crimes demonstravam sinais de planejamento. Dahmer fez um grande esforço para estar à sós com suas vítimas e evitar as testemunhas. Havia evidências, também, de que Dahmer estava bem preparado no momento em que matou, portanto, seus crimes não eram causados por um impulso. Segundo o psiquiatra, o fato de Dahmer beber muito tiveram um papel significativo nos crimes. Se Dahmer tivesse alguma compulssão para o homicídio, ele não precisaria do álcool para matar. No entanto, Dahmer recorria `bebidas alcoólicas para superar suas inibições em cometer homicídios.

O psiquiatra concordou que a parafilia não depende da livre escolha de um indivíduo, uma vez que ninguém pode escolher o que acha sexy ou não, porém, isso não faz com que o portador de parafilia seja um insano, muitas vezes, ocorre o contrário:
 “O portador de parafilia é tão livre quanto outro ser humano é para escolher se quer cometer um crime para satisfazer seus desejos. A parafilia fornece não mais do que um motivo para o que a pessoa gostaria de fazer. Se você diz que pessoas com parafilias são obrigadas, então você tem que dizer que todos nós somos obrigados a fazer o que queremos.”

Apesar da bizarrice dos casos, Park não acreditava que Dahmer fosse um sádico, uma vez que Dahmer não tinha a tortura como principal motivação e dopava as vítimas antes de matá-las, uma forma de poupá-las do sofrimento. Park também ofereceu uma explicação sobre o ritual de Dahmer segurara a cabeça com uma mão e se masturbar com a outra:

 “Isso facilitou a fantasia da pessoa completa, a fantasia da pessoa viva a quem pertencia a cabeça, que cortou a consciência de que o resto do corpo estava perdido e que a cabeça foi cortada.”

Park havia assistido à Filmes com Jeffrey Dahmer. Ele também recebeu do assassino um diagrama do templo que serviria para a conexão entre Dahmer e suas vítimas. Ele falou no tribunal:

"'Eu o achei excepcionalmente atraente e desejava reter alguma coisa dele comigo, com o forte medo de ser pego, eu acho. Isso foi na época que eu tinha a mesa, a mesa preta e dois grifos e foi aí que eu comecei a formular a ideia do templo". O sr. Dahmer desenhou para mim um diagrama do que ele tinha em mente para o templo e que diagrama do templo mostrava dez crânios em cima da mesa, incenso queimando em ambas as mãos e dois esqueletos completos em cada extremidade da mesa preta com os grifos de gesso, acima da mesa um globo especial no sentido significado de iluminação e havia uma cadeira preta para que ele pudesse sentar na cadeira e admirar sua coleção.Se ele fizesse isso e ele tinha criado, desta forma ele seria capaz de se tornar, de alguma forma entrar em contato com alguma força ou poder espiritual; foi nessa época que ele começou a assistir ao filme O Retorno de Jedi. Assim foi a primeira idéia da área do templo, é claro, somente depois de três dos assassinatos e por causa da cena que ele tinha em mente sobre o templo e é o significado deste filme em uma grande profundidade, na verdade, ele e eu nos sentamos juntos e eu assisti a todas as cenas no filme o Retorno de Jedi que ele considerava significativas.

Da mesma forma, um tempo depois, colocou este filme de lado e começou a fazer uso do filme o Exorcista 3 e cenas particulares de uma maneira similar, ele e eu nos sentamos juntos e assistimos as cenas de O Exorcista 3, para que eu pudesse explorar o qual era o significado das imagens e dos materiais. E eu acho que o que emerge de tudo isso é uma compreensão que o Sr. Dahmer considerava um personagem em cada um desses filmes, o personagem conhecido como Imperador em O Retorno de Jedi e o personagem que, obviamente, deveria ser o Satanás no Exorcista 3. E o que esses personagens têm em comum é que eles são maus e corruptos e poderosos e ambos tinham a capacidade de usar poderes especiais para controlar os outros. No caso do Imperador, ele parece ser um uma pessoa perspicaz e rápida com um tipo de energia e capaz de manipulá-los dessa maneira porque é futurista.

E no Exorcista 3 o poder vem de ser capaz de criar ilusões para as pessoas pensarem, suspender as pessoas sobre o teto, ser capaz de fazer todas aquelas coisas. Cada um dos personagens nas cenas que ele aparentemente via, realmente atormentavam alguém e de uma forma que poderia ser descrita como tortura, mas o Sr. Dahmer disse que não era o que era atraente para ele. Apesar das fantasias ocasionais, ele nunca agiu, e ele sempre disse que fazer outra pessoa sofrer não lhe trazia desejo sexual, mas ele identificava o poder desses personagens, são os personagens menos atraentes em ambas as cenas, e não aqueles que espera-se que a maioria das pessoas iria se identificar, mas ele gostava da idéia do poder que tinham, esses dois personagens são retratados no filme com olhos amarelos que lhes dão uma aparência de mistério, e assim o Sr. Dahmer também comprou um par de lentes de contato amarelas ....ele as usava quando ia aos clubes para que ganhasse um pouco mais desse ‘universo’. Sua duplicação com esses filmes e usá-los não era apenas uma curiosidade normal, era mais do que isso, ele queria ser mais parecido com aquelas pessoas e ele descreve que usava as cenas para ajudar na sua caçada as vitimas, e às vezes ele trazia a vítima para assistir parte do filme e chamava a atenção para essas cenas também e assim repetia algumas partes novamente de acordo com seu estado de espírito certo para ele cometesse seus crimes e ele explicou que ele se identificava com o personagem porque ele sentia que era realmente mal e corrompido como aqueles personagens eram.

Para finalizar, com relação ao ocorrido nos últimos homicídios, Park Elliot admitiu que Jeffrey Dahmer não gozava de suas faculdades mentais, isso se dava pelo abuso em álcool. No entanto, o fato não o torna legalmente insano. O psiquiatra concluiu que a parafilia e o alcoolismo de Dahmer não afetavam substancialmente seus processos mentais ou emocionais."

O Estado também designou dois psiquiatras para fornecer ao júri uma análise objetiva do estado mental do réu na época em que cometeu os crimes. Dr. Gorge Palermo e Dr. Samuel Friedman, foram nomeados pelo juiz e deram suas opiniões no tribunal.



No tribunal, George B. Palermo.
George B. Palermo é professor de Psiquiatria e Neurologia Clínica, além de diretor de Criminologia Psiquiátrica na Faculdade Médica de Wisconsin e Professor adjunto de Criminologia na Universidade de Marquette. Ele concluiu que, devido a falta de ação dos pais de Jeffrey, durante sua infância e o fato de Jeffrey nunca ter qualquer conversa sobre seus pensamentos e fantasias, Dahmer interiorizou seus sentimentos hostis. Na sua opinião, por causa dessa incapacidade crônica de formar relacionamentos e dos seus frustrados desejos homossexuais reprimidos, Jeffrey Dahmer se tornou um sádico sexual. O Dr. Palermo também negou que o réu era portador de necrofilia, alegando que Dahmer não exibiu características de comportamento necrófilo. Segundo Palermo, Dahmer matou homens por que eles representavam seu desejo homossexual. Eles eram a fonte de sua atração homossexual. Matando-os, Jeffrey estaria matando o que ele odiava dentro dele mesmo. Palermo também nega que Dahmer havia matado por afeto à vítima, como o réu alegou. O assassinato teria, entre outros motivos, a finalidade de manter a vítima em silêncio. Abaixo, parte das alegações de George B. Palermo:


“A agressividade e suas tendências hostis o levaram ao seu comportamento assassino. Seus impulsos sexuais funcionavam como um canal através do qual o poder destrutivo foi expressado...”

“Dahmer tinha uma agressão reprimida dentro de si. Ele matou os homens porque ele queria matar a fonte da sua atração homossexual por eles. Ao matá-los, ele matou o que ele odiava dentro de si mesmo...”

“Ele matou porque quando eles acordassem, eles estariam furiosos com ele.”

Todos nós, os chamados normais, temos dependências ou características sádicas, por vezes, que não são muito boas para as pessoas que estão conosco ou de quem gostamos. Todos nós temos recursos fetichistas, porque quando algum parente ou um ente querido morre, o que fazemos? Certamente não é um caso de fetichismo sexual, mas tentamos abraçar até mesmo o corpo morto por causa da importância que damos a esse corpo, a este querido para nós que morreu. E isso caminha junto com o limite de personalidade, o limite de personalidade altera o humor da depressão para a euforia, todos nós temos esse tipo de coisas, mas não nesse grau tão discrepante. Somos compostos de muitas fantasias e ficamos doentes quando estas fantasias se tornam exageradas, e é isso que é chamado de transtorno de personalidade.”

Para finalizar, Palermo disse:

"Eu sei que é estranho dizer, mas ele não é uma pessoa tão má.”

Dr. Samuel Friedman.

Já o Dr. Samuel Friedman declarou que era o anseio por companhia que levou Jeffrey Dahmer a matar. Ele descreveu Dahmer de uma maneira até gentil, descrevendo-o como alguém amável, agradável como companhia, Cortez e com bom senso de humor, convencionalmente bonito, charmoso e atraente, além de ainda ser um jovem brilhante.
Ele descreveu Dahmer como sendo alguém cooperativo com a investigação, dando detalhes de seus crimes. Na verdade, era o desejo de Dahmer descobrir a causa de seus males. Jeffrey quase que implorou por uma explicação sobre o porquê cometeu crimes tão cruéis.
“Espero que algo pode ser feito para reconstruir este indivíduo, que certamente tem toda juventude e inteligência." 
Apesar de tudo isso, no entanto, Dr. Friedman concluiu que Dahmer era são, porque ele teve a oportunidade de se comportar de maneira diferente, e em vez disso, ele escolheu para matar, planejar estrategicamente os assassinatos, a fim de cometê-los com sucesso. Em interrogatório, Dr. Friedman foi perguntado se seria possível para uma pessoa insana fazer planos e opções elaboradas e lógicas para a consecução de um objetivo. O promotor McCann protestou e o protesto foi aceito pelo juiz, no entanto, mesmo não sendo obrigado a responder, após uma série de perguntas semelhantes e perguntas reformuladas, Friedman, após uma breve pausa, admitiu que o exercício da liberdade de escolha e o raciocínio lógico não invalida o diagnóstico de doença mental, e que o transtorno de personalidade de Dahmer, na verdade, equivalia a uma doença mental.
Depoimento de Ronald Flowers Jr.


Outro ponto do julgamento foi o momento das testemunhas, entre elas estava Ronald Douglas Flowers Jr.. Na época do julgamento, Ronald era menor de idade, por isso seu rosto não apareceu na versão televisionada. Eis abaixo o depoimento de Ronald:

Promotor: Aproximadamente, a que horas você chegou ao clube naquela noite?
Ronald: Huumm.... Eu não tenho certeza. Eu sei que era tarde, porque o estacionamento estava muito cheio na hora, então eu imagino que era 11, 11h30 em torno desse horário.
Promotor: Você encontrou seus amigos lá?
RD: Sim, encontrei.
P: Após o bar fechar, o que aconteceu?
RD: Então eu saí do bar, voltei para o meu carro e tentou ligá-lo... Bem, eu tenho tido problemas com meu afogador. Então, eu imaginei que era esse o problema e eu continuei tentando, tentando, mas o carro morreu.
P: O que você fez em seguida?
RD: Bem, então eu fui até a cabine de telefone, que está localizado na esquina da Rua 2 e Cutspear, eu acredito.
P: Você entrou em contato com a pessoa que você conhece agora como Jeffrey Dahmer?
RD: Sim, entrei. Ele se ofereceu para me dar uma carona para ir com ele para pegar o carro para trazê-lo de volta para tentar fazer o meu carro pegar, ele pediu para o táxi nos deixar um pouco longe de casa, porque ele não queria despertar sua avó. E ele não queria acorda-la.
P: O que aconteceu quando você chegou lá?
RD: Huum, eu disse “vou esperar por você aqui”, ele estava indo pegar as chaves, eu acredito... Então eu disse apenas “espero por você aqui”. Ele disse: não, porque você não entra? Será apenas um minuto. E ele me ofereceu uma bebida. A próxima coisa que eu me lembro de acontecer é de ter pensado comigo mesmo: "Por que ele está me olhando assim?". Porque era a primeira vez que ele, e ele não se desviava. Era quase como ele estivesse esperando por algo. E eu pensei comigo mesmo, o que ele está esperando? Então, naturalmente, eu comecei a beber o café mais rápido porque eu sairia mais fácil de lá. E a próxima coisa que eu lembro foi ficar extremamente tonto, e minha cabeça rodar e é isso.
P: Quando você diz "e é isso", significa que você apagou, desmaiou?
RD: Sim. Qual é a sua próxima memória? Acordei em uma espécie de pronto-socorro de Milwaukee...
P: Você deu por falta de algum pertence?
RD: Sim, estava faltando, desculpe-me, todo o dinheiro da minha carteira, estava faltando uma pulseira que eu estava usando no meu braço direito, e correntes de ouro no meu pescoço.
P: Você sabe se o hospital mudou sua roupa em qualquer momento?
RD: Não, eles não trocaram. Eu não acho que eles tinham uma razão para isso.
P: Quando em seguida você se viu sem roupa,você sabia se havia algo de errado com sua roupa?
RD: Sim.
P: O que era?
RD: Eu sei que minha cueca estava do avesso.
Ronald Flowers Jr dá o seu testemunho.
Durante o processo pelo homicídio de Antony Sears, testemunhou Jeffrey O Connor, amigo íntimo da vítima. Eis parte de seu testemunho:
Juiz: Próximo Testemunho: diga seu nome e soletre seu sobrenome.
Jeffrey Connor: C-O-N-N-O-R.
Promotor: Sr. Connor, você era amigo de Anthony Sears, correto?
Jeffrey Connor: Sim.
Promotor:Há quanto você o conhecia antes de sua morte?
JC: Aproximadamente 3 anos.
PR: Vocês eram amigos?
JC: Sim.
PR: Na verdade, você estava com Anthony Sears na noite em que ele foi para a casa com Jeffrey Dahmer, não é?
JC: Sim.
PR: Deixe-me chamar a sua atenção para noite de sábado, 25 de março de 1989. Em algum momento você se encontrou com Sr Sears naquela noite?
JC: Sim.
PR: Como e quando foi isso?
JC: Isso foi, provavelmente, às 10:00 ou 10:30 no apartamento dele.
PR: Ok. Vocês, em seguida, foram para algum lugar juntos?
JC: Sim, nós saímos.
PR: Onde vocês foram?
JC: Fomos para LaCaage.
PR:O que é LaCaage?
JC: LaCaage é um bar gay em Milwaukee.
PR: Onde está localizado?
JC: Na 2º National.
PR: E como vocês chegaram lá?
JC: Fomos no meu carro.
PR: Naquela noite, você entrou em contato com a pessoa agora conhecida como você como Jeffrey Dahmer?
JC: Sim. Eu o conheci um pouco antes do fechamento, cerca de 2 horas... 02h15... Nós fomos lá para fora, Tony, Jeffrey Dahmer, eu e outro amigo meu, Bob Kill.
PR: Ok. E o que vocês fizeram?
JC: Fomos para o meu carro. Todos apertados, Jeffrey Dahmer e Tony estavam no banco de trás. Então nós saímos daquela área para elevar Tony e o Sr. Dahmer.
PR: Alguém fez algum comentário sobre eles irem para casa juntos?
JC: Eu apenas fiquei pensativo.
PR: Para onde eles foram? Casa de Tony ou do Sr. Dahmer?
JC: Apartamento do Sr. Dahmer.
PR: Você falou com o Sr. Sears, fez planos com ele?
JC: Sobre ir busca-lo?
PR: Que planos?
JC: Eu só lembrei que naquele domingo era Páscoa e eu tinha planos para estar com a minha família e para que lhe desse uma carona para casa eu tinha que pegá-lo antes, o que seria de manhã bem cedo em algum momento
PR: Antony Sears fez alguma reclamação naquela noite?
JC: Não.
PR: Você viu Antony Sears alguma outra vez?
JC: Não.

Jeffrey Connor falando no tribunal. Jeffrey acompanhava seu amigo, Antony Sears, na noite anterior ao assassinato do menino.
Depoimento de Saravane Sinthasomphone.

Outra vítima a que escapou do cerco de Dahmer,foi Saravane Sinthasomphone, no tribunal referido apenas por SS, uma vez que também era menor d e idade. Eis abaixo o testemunho de Saravane:

Promotor McCann: Ele disse alguma coisa para você?
Saravane Sinthasomphone: Sim, ele me disse que como outros meninos eles posaram por 50 dólares.
MC: Se você é posaria por 50 dólares?
SS: Sim.
MC: E o que você disse a ele e o que ele disse para você, então?
SS: Perguntei-lhe se era sua carreira, mas ele disse que era um hobby.
MC: Ele disse que é um hobby?
SS: Sim.
MC: O que você disse, então e o que ele disse?
SS: Ele me perguntou se eu queria posar para ele apenas por 50 dólares.
MC: O que aconteceu então?
SS: Então, começamos a caminhar para o seu apartamento.
MC: Você levantou a camiseta no pescoço para a fotografia?
SS: Sim. E ele me ofereceu algo para beber... Ele disse que eu deveria abaixar a roupa e mostrar a cueca... Ele abaixou a roupa também.
MC: E o que mais ele fez?
SS: Ele agarrou meu pênis...
MC: E então, depois ele beijou sua barriga e você disse: Eu tenho que sair daqui, algo assim.
SS: Sim... Eu apenas peguei meu “book de fotos” de volta e então eu fui para a porta.
MC: Você se moveu para a porta do apartamento?
SS: Sim.
MC: E a porta do apartamento estava fechada naquele momento?
SS: Sim, estava.
MC: E estava fechado depois que você entrou no apartamento? 
SS: Sim. 
MC: E o que o Sr. Dahmer fez quando você foi até a porta com o seu “book”? 
SS: Ele disse: espera e não esqueça o seu dinheiro. E não conte a ninguém que eu estou fazendo isso.
MC: E o que aconteceu então? Ele te deu o dinheiro? 
SS: Ele me deu os 50 dólares. 
MC: Quando foi a próxima vez que você ficou consciente e onde você estava?
SS: No hospital.

O policial responsável pelo caso Saravane também foi ouvido:

Promotor: Você está empregado como eles disseram na Polícia Miwaukee?
Policial:  Sim, estou.
Promotor: E que posição você ocupa?
Policial: Atualmente, estou na Lutano of Tough Detectives.
PR: Há quanto tempo você está empregado pelo departamento de polícia de Milwaukee?
PL: Desde 1974.
PR: Em 27 de setembro de 1988 você estava trabalhando pela sede do departamento de polícia de Milwaukee?
PL: Sim.
PR:Onde fica esse edifício?
PL:749 West State da cidade de Milwaukee.
PL:Houve um momento em que você estava ciente da investigação que estava em andamento e da conexão com o ataque sexual em um jovem de 13 anos de idade?
PL: Sim.
PR: Ele é menor e por razões de proteção do seu nome, ele está se referindo nesse processo como SS. Quais informações você recebeu, basicamente, que o levou a se envolver na investigação?
PL: Mais ou menos as 12h20 horas de 27 de Setembro de 1988, os policiais Robert Entriese e Gary Ten trouxeram SS na unidade de agressão sexual no departamento de polícia de Milwaukee...
PR: E então os oficiais saíram e em seguida foram ao prédio onde tudo ocorreu e identificaram o apartamento particular com a sua ajuda?
PL: Correto.
PR: E conseguiram com o gerente de segurança o nome do individuo e local de trabalho, é correto?
PL: Sim.
PR: Você tinha informações de que o homem era Jeffrey Dahmer e ele estava empregado na fábrica de chocolate da USI e ele era o terceiro chefe para os trabalhadores, isso é correto? E armado com as informações, você deixou o escritório da sede e foi para essa fábrica de chocolate do lado oeste?
PL: Sim, mas antes de sair eu mostrou uma série de fotografias A SS, incluindo a pessoa que havia sido identificada pelo gerente do apartamento e SS positivamente identificou Jeffrey Dahmer como a pessoa que o tinha levado para seu apartamento e tirado suas fotos.
PR: E você encontrou alguma imagem ou arquivo de ocasião anteriores onde Sr. Dahmer tenha se exposto indiscretamente?
PL: Sim, correto. Você, em seguida, foi então para essa fábrica de chocolate do lado oeste com os policiais?
PL: Sim, fui.
PR: Quando chegou o Sr. Dahmer foi trazido a você por funcionários da fábrica?
PL: Sim.
PR: E te transpareceu alguma coisa... você o reconheceu a partir de fotos que você já haviam sido mostradas?
PL: Sim.
PR: E qual tipo de conversa ocorreu entre você e o Sr. Dahmer naquele momento?
PL: Naquele momento eu me perguntei se ele era Jeffrey Dahmer. Ele disse sim. E naquele momento eu o prendi.
PR: Alguma vez ele confessou que ele agarrou o pênis do menino?
PL: Não, ele negou isso.
PR: Você o considerou culpado?
PL: Sim. 

Porém, um dos depoimentos mais controversos foi o de Joseph Gabrish, o policial que entregou o menino Konerak, irmão de Saravane, nas mãos de Dahmer. Joseph descreveu como foi a noite em que ele e seu parceiro encontraram o assassino:

Promotor: Nas primeiras horas da manhã de 27 de maio de 1991 você estava na sua ronda policia na cidade de Milwaukee, correto?
Joseph Gabrish: Correto.
Promotor:Você lançou os faróis no beco? 
Joseph Gabrish: Sim, as luzes vermelhas estavam acesas como de costume.
PR:Você saiu do carro?

JB: Correto. 
PR:E o que você fez quando saiu do carro? O que você viu e o que você fez?
JG: Vi duas pessoas no beco, um homem branco e um garoto totalmente nu. Meu parceiro veio até mim e me disse que ele iria obter a informação com o homem branco, com quem ele estava falando e, basicamente, que o nome garoto de programa era Chan Ramon, de 20 anos e que tinha ficado com ele durante as últimas duas ou três semanas.
PR: Tinha ficado com quem?
JG: Com o Sr. Dahmer. Até então esse nome Dahmer, ainda não havia sido mencionado. O oficial Balcerzak e eu juntamente, com Jeffrey Dahmer começamos a andar, enquanto caminhávamos de volta para o apartamento o sr Dahmer falou sobre o criminalidade no bairro e quão ruim ele achava ser, ele disse que estava contente com a polícia no bairro, que havia uma necessidade da polícia, e fumava um cigarro durante esse tempo. Quando chegamos perto do prédio, ele falou da necessidade de descansar e relaxar, e que seu apartamento tinha um sistema de segurança por causa do crime e a natureza da vizinhança.
PR: Ele mostrou-lhe até o seu apartamento?
JG: Correto.
PR: E ele o convenceu que você poderia voltar para o seu trabalho e que tinha tudo sob controle?
JG: Estavamos todos convencidos.
PR: E não havia nada que você tivesse visto que poderia por um momento te fazer acreditar que houvesse qualquer problema... correto?
JG: Não havia nada.

Joseph Gabrish dá seu testemunho no tribunal: "Parecia não haver nada de errado com Jeffrey Dahmer"
O ex-chefe de Dahmer também deu seu testemunho: "Ele me disse que não poderia ir trabalhar... Eu falei com ele que aquela seria a última vez..."
Um dos testemunhos mais aguardados foi o de Tracy Edwards, o pivô da prisão do serial killer. "Eu estava distraído, olhando para o aquário à minha direita e do nada ele me algemou..."

O Juri Delibera.

Durante o depoimento, Gerald Boyle frisou o fato de Dahmer sofrer distúrbios sexuais. Ele relatou como Jeffrey Dahmer, na adolescência, já havia desenvolvido uma paixão em desmebrar e estripar animais e tinha fantasias de fazer o mesmo em serer humanos. Em última analise, Boyle disse que essas fantasias sádicas estavam emaranhadas com a homossexualidade reprimida de Jeffrey Dahmer. Boyle finalizou seu relato dizendo:

“Ele colocou sal, pimenta e amaciante de carne para comer músculos humanos. Para ele era como esfolar uma galinha. Este é um garoto doente … balançar a cabeça e fazer sons com a boca quando assiste a um filme de terror, perfurar o cérebro, comer partes de corpos, tomar banho com cadáveres, isso transcende o conceito de bizarro...“Crânios no armário, canibalismo, desvios sexuais, abrir cabeças com brocas, criar zumbis, necrofilia, beber o tempo todo, tentar criar um santuário, lobotomias, descarnar pessoas, empalar animais, masturbação … Esse é o Jeffrey Dahmer, um trem desgovernado em uma ferrovia da loucura, um rolo compressor, uma máquina de matar.”
Michael McCann rebateu, alegando que Jeffrey poderia até ser doente, mas não era legalmente insano, sendo ele um assassino metódico. Metódico ao ponto de conseguir pílulas para dormir e teve presença de espírito para usar preservativos ao manter relações sexuais com cadáveres:

“Ele não era o trem desgovernado, ele era o engenheiro da ferrovia! Ele estava apenas satisfazendo seus desejos sexuais. Senhoras e senhores, ele enganou muita gente. Por favor, não deixem que esse assassino enganem vocês!”

Após uma deliberação de 5 horas, o júri decidiu que Dahmer era culpado de todas as 15 acusações e que era mentalmente são, ou seja, iria para a cadeia e não para um hospital psiquiátrico. Após o anuncio da decisão, parentes das vítimas que acompanhavam o julgamento comemoraram. Havia na platéia alguns estudantes do ensino médio, postos ali para lembrara à todos que algumas das vítimas fatais de Dahmer eram menores de idade. Após o veredicto, foi dada aos parentes das vítimas de Dahmer a chance de encarar o serial killer frente a frente e falar o que queriam para ele.

Na platéia, parentes comemoram. "A justiça havia sido feita"


Sala onde o juri deliberou por cerca de 5 horas. Jeffrey Dahmer foi considerado culpado por todas as acusações.
Shriely Hughs, mãe de Antony Hughs foi a primeira a falar. Antony era surdo e mudo. Shriely apresentou um breve poema. Eis as palavras dela:
Meu nome é Shirley Hughs, sou mãe 'Antony Hughs. Primeiro de tudo, quero a agradecer a Deus e dar graças ao júri e ao Sr. McCann. Eu gostaria de dizer para Jeffrey Dahmer que você não sabe a dor, a mágoa, a perda e o estado mental em você colocou a família. Mas eu quero ler um poema de um bom amigo nosso:

‘Tony pensava você era seu amigo, ele conhecia você... Porque sou vítima em um mundo cruel e terrível? Embora eu não possa me ​​comunicar com a voz, me escute de qualquer maneira, tente ouvir a misericórdia em minha boca, olhe para as lágrimas que rolam em meu rosto, veja que cada uma é um grito para curar e perceber. Eu vou mostrar você que eu queria viver, me diga exatamente o que eu fiz para você agir como um monstro, um maníaco, um diabo. Oh meu Deus, quem é você? O que é você? Aqui você nunca mostrou esse seu lado, eu confiei em você, eu pensei que você era meu amigo até o fim, e eu não conhecia você como eu pensava. Nunca imaginei que final seria desta maneira. Há alguém que poderia me ajudar? Mãe, pai, irmãs, irmãos, alguém por favor me ajudar? O que aconteceu comigo? Tudo parece está ficando lento, estou confuso, estou indo... Minha coordenação foi contaminada... Meu amigo o que é que você está me dando? O que é que você está fazendo comigo? Eu estou impotente e é muito tarde... Eu não posso lutar com você novamente? E o meu coração está lutando fortemente para manter meus olhos abertos na esperança que vejo num novo dia... Sim, você tem total controle sobre mim, minha vida está nas mãos de um amigo de outrora, mas agora um estranho que se tornou meu pior pesadelo. Mas um dia eu sei que você vai ser pego...  Lembre-se que o que é feito no escuro, vem a tona e o mundo inteiro vai saber  a pessoa horrorosa que você realmente é. Mamãe eu me fui, a minha esperança, a minha respiração, meu querer viver...  Isso tudo foi tirado de mim. Eu sei o peso que você arrasta em seu coração dia e noite por causa disso, mas não estou longe. Quando você sentir frio eu vou colocar meus braços em torno de você para te esquentar. Se você ficar triste eu vou suavemente pegar seu coração e enche-lo de alegria! Dois dedos significam eu te amo na linguagem de sinais, e eu sou surdo. Quando você chorar, tome uma lágrima e coloque-a no vento. Dois dedos... Eu te amo mãe.’”


Shirley Hughs, no tribunal.
Dorothy Straughter, mãe de Curtis Straughter, foi a próxima a falar com o serial killer:

Dorothy, mãe de Curtis.
“Meu nome é Dorothy Straughter, mãe de Curtis Straughter. Eu não tenho nada preparado para dizer... você me levou um filho de 17 anos de idade, longe de mim, eu nunca vou ter a oportunidade de dizer que eu o amo, você levou o único irmão da minha filha, ela nunca vai ter a oportunidade de cantar e dançar com ele novamente, você levou o neto mais velho da minha mãe e eu nunca poderei perdoá-lo.”

A seguir, J. W. Smith, irmão da vítima Edward Smith, falou:


J.W. Smith, lendo sua declaração no tribunal.
“Sou J.W. Smith, irmão de Edward Smith. Edward Smith tentou ser amigo de Jeffrey Dahmer, como resultado, perdeu a vida. Sr Dahmer, Eddie se foi, vítima de seu desejo de matar. Para onde vamos a partir daqui? Perguntamos a nós mesmos. Por que isso aconteceu com uma pessoa como Eddie? Ele te deu tanto e ganhou tão pouco. Tudo o que ele queria era a chance de ser ele mesmo... uma chance de ser feliz... mas todos os fatos que eu tomei ciência, eu espero que a sociedade ganhe algum conhecimento para evitar tragédias como esta que Eddie sofreu. Não há sacrifício grande ou muito pequeno para Eddie. Ele realmente amava dar e deu-se acima de tudo.”

Depois, Ines Thomas:


Ines Thomas, mãe de David Thomas.

“Meu nome é Ines Thomas e eu sou a mãe de David Thomas. Bem, eu não entendo como uma pessoa realmente prejudica uma pessoa e diz: Eu fiz isso, porque ele era o meu tipo.Todo mundo sai por aí fazendo algo para alguém por causa de seu tipo? Este seria um mundo triste hoje. E eu sinto que este homem nunca será capaz de caminhar e enfrentar o mundo ou será capaz de prejudicar alguém novamente.”

Chegou a vez de Daniel Bradehoft, irmão de Joseph Bradehoft:

Daniel Bradhoft, irmão da última vítima de Jeffrey Dahmer.
“Bom dia, meu nome é Daniel Bradehoft. Eu sou da família de Bradehoft. Minha mãe teve cinco filhos lindos, nós perdemos; você destruiu o bebê da família. E eu espero que você vá para o inferno. Eu amo este mundo, vocês fizeram um trabalho maravilhoso, eu tenho muita força no meu coração. Obrigado a todos. Deus abençoe a América.”

Por fim, chegou a vez de Rita Isabel desabafar. O desabafo da irmã de Oliver Lacy chamou a atenção, pois, ao contrário dos outros parentes das vítimas, Rita surtou, xingou e tentou partir para cima de Jeffrey. A mídia logo viu no episódio a chance de vender mais e a mulher deu entrevistas para inúmeros canais e jornais. Presidiários, que tomaram conhecimento do ocorrido, entraram em contato com Rita prometendo que Jeffrey seria “bem cuidado” na cadeia. Eis abaixo as palavras de Rita Isabel:

"Eu nunca mais quero ver minha mãe passar por isso novamente! Nunca, Jeffrey! Jeffrey, eu te mato, seu filho da puta!"
“Sou a Irmã Mais Velha de Oliver Lacy. Seja qual for o seu nome. Eu estou ensandecida. É assim que você age quando está fora de si? Eu nunca mais quero ver minha mãe passar por isso novamente! Nunca, Jeffrey! Jeffrey, filho da puta! Eu vou te matar seu Filho da puta! Eu vou te matar!”


Rita Isabel parte pra cima do assassino, sendo contida por policiais.

Logo após Rita ser contida, foi a vez do próprio Dahmer falar:

Este nunca foi um caso de tentar escapar, eu nunca quis a liberdade, sinceramente eu queria a morte para mim. Este é um caso para dizer ao mundo que eu fiz o que fiz, não por razões de ódio, eu nunca odiei ninguém. Eu sabia que era doente, ou perverso, ou ambos. Agora eu acredito que era doente. Os médicos disseram sobre a minha doença e agora eu tenho alguma paz.
Eu sei quanta dor eu causei. Vou tentar fazer o melhor que puder a partir de agora, mas não importa o que eu faça, nunca poderia desfazer o dano que eu causei. Eu me sinto muito mal pelo que fiz para essas pobres famílias e eu entendo o seu direito de ódio.
Decidi passar por esse julgamento por inúmeras razões. Uma das razões era deixar o mundo saber que esses não foram crimes de ódio. Eu gostaria que o mundo e Milwaukee, a qual eu feri profundamente, soubessem a verdade do que eu fiz. Eu não queria questões não respondidas. Todas as questões agora foram respondidas. Eu queria saber exatamente o que me levou a ser tão mal e perverso. Mas acima de tudo, o Sr. Boyle e eu decidimos que talvez houvesse uma maneira de dizer ao mundo que, se existem pessoas por ai com esses transtornos, talvez eles possam receber alguma ajuda antes que eles acabem sendo feridos, ou antes de ferir alguém. Eu acho que esse julgamento fez isso.
Eu vi suas lágrimas e se eu pudesse dar minha vida para trazer seus entes queridos de volta eu faria. Eu sinto tanto.
Eu sinto muito pelas pessoas que machuquei. Eu machuquei minha mãe, meu pai e minha madrasta. Eu amo muito todos eles. Eu espero que eles possam encontrar a mesma paz que estou procurando.”
Anne Schwartz escreveu o seguinte para o Milwaukee Journal na época: “me surpreendi com o quão normal este homem parecia… No dia que Jeffrey Dahmer foi condenado, eu ouvi sua declaração no tribunal com calma e eloquência, e me perguntei se eu poderia ter sido facilmente enganada.”
Logo depois, encerrando o julgamento, o juiz informou a sentença de Jeffrey Dahmer:

“...Resultado 2 - vida em encarceramento mais 10 anos consecutivos como Resultado 1.
Resultado 3 - vida em encarceramento com qualificação profissional de 70 anos desde o início da sentença especial, eu não tenho toda a série, eu vou trabalhar nisso, mas serão 70 anos desde o início da sentença, os quais serão consecutivos ao Resultado 2
Resultado 4 - vida em encarceramento com qualificação profissional de 70 anos...
Resultado 15 - vida em encarceramento com qualificação profissional de 70 anos após o início da sentença consecutivos ao Resultado 14.

Acredito que eu tenho, eu pretendia seguir a recomendação do Estado. Eu poderia ter dito algo diferente, que não teria o mesmo impacto, eu realmente vejo que ninguém ganha por apenas dizer mais e mais anos. O ponto importante é que, com a sentença fragmentada dessa forma, este réu nunca mais vai ver a liberdade.”
Lawrence C. Gram, lê a sentença de Jeffrey Dahmer: "O réu nunca mais verá a liberdade"
Jeffrey Dahmer, desde o início, queria a pena capital. Porém, nos Estados Unidos, nem todos os estados tem a pena de morte, é o caso de Wisconsin. Dahmer recebeu 15 penas consecutivas de prisão perpétua, sem possibilidade de condicional. Seu destino estava selado: Passaria o resto da vida em uma cela de prisão. Jeffrey tinha apenas 32 anos de idade.

Devido à gravidade de seus crimes, foi dada à Dahmer a possibilidade de permanecer em uma cela separada, uma forma de protegê-lo de possíveis represálias, mas Dahmer se negou. Queria ser tratado como um prisioneiro comum.

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8 comentários:

  1. Eu não sei pq eu nao consigo te esquecer JD�� maldita hora que o conheci JD sua história, sua vida mas a culpa é toda minha por ser tão atrevida, mas eu te amo de verdade,te amo mais que as mulheres que passou por voce é uma pena vc não liga e nem saiba desses sentimentos que a cada dia só aumenta me machuca, me feri tanto que sangra por dentro mas vale a pena porque sei que um dia vou te encontrar. queria pode te-lo o conhece-lo e te mostrar todo meu amor que é verdadeiro e nao é pela sua aparencia é pela sua história pela sua sinceridade seu olhos perdidos e pensativo me entregaria pra voce faria tudo por voce deis que eu pudesse ter seu corpo junto ao meu deixaria voce me machucar, me mostrar como é seu jeito de amar sentir seu coração,ouvir o som da sua voz suave, abraça-lo e beija-lo pra sentir seus labios molhados com sabor amargo da paixão e delirar de amor quando com sua mão voce me tocasse nao me importa o que eu teria que fazer pra te-lo junto a mim: dizer no teu ouvido me ama como nunca amou ninguém, me toque como jamais tocou alguém me faça chorar e gemer de dor e de prazer ao mesmo tempo, faça comigo o que voce quiser, quero ama-lo e sentir voce dentro de mim. Queria amar tanto voce como se fossemos uma só pessoa. Queria colocar seu rosto no meu rosto, sua mão na minha mão,e ficar horas e horas trancados num quarto sozinhos sem hora pra sair de lá ficar dias talvez mesês com vc sem ver o dia a noite passar os dias só te amando e fazendo as suas vontades sendo sua escrava na cama, poder ser sua cumplice em seus crimes e nos amarmos enquanto suas vitimas vc cortasse e degolava ao se masturbar eu ficaria adimirando,assistindo essa cena que seria meu sonho se realizando mas no final eu só queria te-lo um pouco pra mim pelo menos um abraço. Te amo muito nunca mas nunca vou esquecer vc meu unico amor e unico homem da minha vida meu anjinho descanse em paz eu prometo deixar vc em paz quando estiver pronta pra isso mas te esquecer nunca. Mentalmente vamos construir uma

    familia feliz!!
    Ass: Cindy Dahmer ������

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    1. Quanta loucura!!!

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    2. Você é a Cindy Candy? Eu posso lhe dar o que o Dhamer não poderia de dar.sou o mestre do SM,posso fazer gozar com muitas dores.se você quer ser a minha escrava mande-me fotos para o meu e mail.marciotempel@gmail.com

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  2. Ele gay... Cindy ele não iria querer nada com você, você me parece mentalmente perturbada guria

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  3. AFF...o homem disse q nunca sentiu atração p mulher..seria inútil e perda de tempo..😱😱😱

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  4. Vai sonhando, linda. Ele jamais iria querer uma mulher e você ainda está demonstrando vontades, ele queria alguém totalmente submisso.

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  5. Eu tenho que parar com esse fascínio por serial killers, isso não é saudável, velho!! :')

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  6. QUE MATÉRIA INCRÍVEL, MUITO COMPLEXA. EXATAMENTE O QUE EU ESTAVA PROCURANDO PARABÉNS PELO CONTEÚDO.

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