3 de set de 2013

Mais Cruel que a Realidade: Assassinos da ficção inspirados em assassinos reais.


Quando, em 1968, o filme Boston Strangler (No Brasil, “O Homem que odiava as mulheres”), chegava às telas do cinema, a sociedade se perguntou se era correto ou não usar uma história verídica de assassinatos para entretenimento. Não seria desumano com as vítimas de carne e osso? Boston Strangle recontava os passos do assassino conhecido como “Estrangulador de Boton, que na década de 60 invadiu a residência de mulheres que moravam sozinhas, as estrangulando com peças de seus próprios vestuários. Um sujeito que cumpria pena por diversos abusos sexuais, Albert DeSalvo, confessou o crime. Sua confissão era detalhada, mas havia alguns erros em seu relato, além da falta de evidências físicas o ligando aos assassinatos. Seja como for, Albert nunca foi formalmente acusado pela série de homicídios do estrangulador de Boston. Ele foi misteriosamente assassinado em sua cela, enquanto cumpria pena por seus ataques sexuais. Muitos duvidam de sua culpa, principalmente por que existem evidências de mais de um estrangulador atuando na cidade por esse período. Boston Strangle foi o primeiro filme biográfico sobre um assassino em série nos Estados Unidos.


23 de ago de 2013

Crime e Castigo: Os 25 piores métodos de execução da História.


O post abaixo é uma livre tradução e adaptação do post 25 of Humanity’s Most Brutal Methods of Execution, do site List 25. Algumas posições da lista foram mudadas e informações adicionadas. Se deseja ler o post original, clique aqui (em inglês).

17 de ago de 2013

Serial Killers: Uma Breve História


Novembro de 1983, a revista Time descreveu os serial killers como sendo “Uma nova espécie de assassinos”. Tais comentários eram corriqueiros durante as décadas de 70 e 80, uma vez que o termo (como conhecemos) foi cunhado por Robert Ressler (ou pelo menos ele reclama créditos para si, embora muitos questionem isso), profiler do FBI no fim da década de 1970. Apesar disso, tais comentários, como muitos leitores já sabem, eram errados. Alguns estudiosos professaram ver o primeiro caso de assassinato em série na figura de Jack, o Estripador, assassino que jamais foi pego. No entanto, eles também erraram em suas apostas.  Apesar de demonstrarem um conhecimento um pouco mais apurado sobre o assunto.

29 de jul de 2013

Jeffrey Dahmer - O Canibal de Milwaukee (Final)

Teria Jeffrey Dahmer matado Adam Walsh?
Adam Walsh desapareceu em um shopping, enquanto estava com outros meninos no interior de uma loja de jogos.

No dia 27 de julho de 1981, Revé Walsh, levou seu filho Adam para a Sears no Hollywood Mall, na cidade de Hollywood, Califórnia. Ela o deixou em no setor de jogos eletrônicos, onde o menino ficou assistindo à meninos mais velhos jogando. Revé foi comprar uma lâmpada, em outra seção. Ela acreditou que o menino estaria seguro.

Quando voltou ao setor de jogos eletrônicos, Revé se espantou: Seu filho havia desaparecido. Perguntando aos seguranças do local o que havia ocorrido, Revé foi informada que teve início uma briga entre os meninos mais velhos. Um dos seguranças havia perguntado aos dois meninos mais velhos se seus pais estavam na loja, ao que responderam que não. Mais tarde, os pais de Adam disseram que o menino era tímido demais para conversar com o segurança, o que sugere que Adam foi posto pra fora da loja juntamente com os meninos mais velhos. Deixado sozinho na porta da Sears, Adam estava em um local que ele não conhecia bem.

Revé não podia acreditar. Seu filho de apenas 6 anos estava desaparecido. A busca desesperada começou, mas nada de encontrar o menino.

No dia 10 de agosto, a história tomou um rumo terrível: A cabeça decepada do menino foi encontrada em um canal em Vero Beach, Califórnia, por dois pescadores. O restante do cadáver não foi encontrado. Legistas definiram a causa da morte como asfixia.

O homicídio do menino permaneceu sem solução. Meses após o desaparecimento e morte de Adam, os jornais e outros veículos da mídia cobriam o caso exaustivamente. Em 1991, um serial killer foi preso em Wisconsin. Haviam cabeças decepadas em seu apartamento e resotos mortais putrefatos ou conservados. Seus crimes eram acompanhados de canibalismo, necrofilia e desmembramento, além de atos lascivos com órgãos ou pedaços de corpos e a tentativa de se criar um zumbi. Seu nome: Jeffrey Lionel Dahmer.

Jeffrey Dahmer foi um suspeito em potencial no caso Adam Walsh, sendo ele entrevistado. Jeffrey negou o crime. Poderia o canibal de Milwaukee ser o sequestrador e assassino do pequeno menino sardento de 6 anos de idade? Duas testemunhas do caso Adam afirmaram ter visto um homem louro de queixo protuberante obrigando um menino chorando a entrar em uma van azul no dia 27 de julho de 1981. Esse mesmo homem foi visto no departamento de jogos da Sears. Lembramos que, nessa época, Jeffrey Dahmer havia acabado de ser dispensado do exército, e morou por um breve período em Miami Beach, cerca de 20 quilômetros de distância de onde o menino sumiu.


Fachada da Sears, de onde Adam Walsh desapareceu.


Após a divulgação do caso Dahmer, essas duas pessoas identificaram Dahmer como o homem visto no Hollywood Mall no dia em que Adam desapareceu. Outro fato que corrobora com a teoria, é que a loja onde Dahmer trabalhou na época realizava suas entregas em uma van azul. As vítimas de Dahmer eram todas do sexo masculino em idades variadas. A mais jovem confirmada era 8 anos mais velha que Adam. Decapitação era parte do modus operandi do assassino. A polícia da Flórida voou até Milwaukee, entrevistar Jeffrey Dahmer. Quando perguntado sobre sua culpa no caso Adam Walsh, Jeffrey Dahmer foi enérgico em negar o crime: "Eu já lhe disse tudo, como eu os matei, como eu cozinhei eles e que os comi. Se não escondo isso, por que negaria ter matado outra pessoa?"

Quase três décadas após o desaparecimento e morte do menino Adam Walsh, uma investigação por parte do The Miami Herald, concluiu que as autoridades da Flórida ignoraram muitas evidências e relatórios que sugeriam que Jeffrey Dahmer havia sequestrado e matado o garoto. Durante décadas, ninguém seria ligado ao caso. No entanto, de tempos em tempos, novas notícias sobre o caso Walsh/ Dahmer, apareciam na mídia. A última vez foi no ano de 2007, quando o escritor freelancer Arthur J. Harris expôs sua opinião sobre o caso e revelou mais ligações entre o Canibal de Milwaukee e o desaparecimento do garoto em um livro e em um artigo de jornal.

O caso foi encerrado em 2008, após o andarilho e serial killer Ottis Toole assumir a culpa sobre o desaparecimento do menino em seu leito de morte. Ottis faleceu de insuficiência hepática. O The Miami Herald publicou um novo relatório, em que declarava que “entrevistas recentes e a revisão de milhares de documentos mostravam que as autoridades haviam investigado todas as provas ligando Dahmer ao caso e que havia mais evidências de que Otis era o assassino”. Embora sua culpa tenha sido estabelecida, as evidências que supostamente o ligavam ao caso de Adam desapareceram.


Otis Toole, serial killer, andarilho, esquizofrênico confessou em seu leito de morte o assassinato de Adam Walsh.
Anne Schwartz também descartou a possível ligação em uma entrevista à AOL News. A primeira repórter a chegar à cena dos bizarros crimes de Dahmer observou que o perfil de Jeffrey não se encaixava no caso de Walsh:

“Eu conversei com John Walsh e estou muito familiarizada com toda a investigação. Não há absolutamente nenhuma evidência que ligue Adam Walsh a Jeffrey Dahmer."

Gerald Boyle, advogado de defesa de Dahmer, também descartou a ligação. Boyle lembrou que, na época dos crimes, Dahmer concedeu cerca de 150 horas de esclarecimentos aos policiais e gastou centenas de horas mais conversando com psiquiatras, o que sugeria que Dahmer não estava retendo informações:

“Ele era muito honesto. Por isso, quero dizer, ele parecia descarregar tudo. Eu não vejo nenhuma razão pela qual ele não teria dito que matou o garoto. Mas, claro, que não era o seu perfil. Os meninos não eram o seu perfil."

Não muito tempo depois da morte do filho, John Walsh (que no início foi considerado suspeito pela polícia) se empenhou na criação do Missing Children Act de 1982 e da Lei de Assistência às Criaças Desaparecidas, de 1984. Walsh também se tornou o apresentador do programa : “Os Mais Procurados da América”.

Anos de prisão.


Os primeiros anos de detenção de Jeffrey Dahmer correram tranquilos. Como era de seu desejo, Dahmer não foi posto em uma cela separada. Dahmer tinha um bom senso de humor. A natureza dos seus crimes fez com que se tornasse alvo de brincadeiras, que ele respondia com outras brincadeiras. Uma vez disse aos guardas da prisão: “Cuidado, eu mordo”. Outra vez, quando alguns presos colaram um cartaz escrito: “Canibais Anônimos. Encontros à noite na Sala 213”. Dahmer respondeu ao anuncio em um tom de brincadeira. O cartaz acabou sendo retirado pelos guardas. Dahmer havia recebido o número 177252.

Devido sua notoriedade, Jeffrey Dahmer passou seus primeiros anos na cadeia de Columbia na área rural no centro-sul de Wisconsin. Ele era mantido com mãos e pés acorrentados e seus movimentos eram bastante limitados. No ano de 1993, devido ao seu bom comportamento, o diretor do presídio o mudou para uma área de segurança média, onde Dahmer conseguiu alguns privilégios: Ele obteve acesso à 15 revistas, 30 livros, 4 jornais e uma bíblia. Dahmer também podia fazer telefonemas e receber visitas. Foram disponibilizados para ele um aparelho de rádio e um televisor além da permissão para que frequentasse a escola carcerária. Dahmer arrumou um trabalho como zelador na prisão, ganhando 24 cents por hora. Também começou a jogar tênis na tentativa de perder 15 quilos que havia engordado na cadeia.


Jeffrey Dahmer engordou bastante na prisão
Lionel, Shari e Joyce enfrentavam diversos problemas em relação à Dahmer. Um desses problemas eram os rumores sensacionalistas que surgiam, o que rendeu inúmeros processos. Um desses processos foi movido contra Geraldo Rivera, jornalista que descreveu Shari como uma madrasta ruim, coisa que o próprio Dahmer negava. Rivera também alegou que Dahmer havia arrumado um amante na cadeia, informação que se mostrou falsa posteriormente.

A velha vida de Dahmer, porém, não o abandonou. Ele passava a maior parte do dia dormindo e as noites em claro, hábito que havia adquirido enquanto trabalhava no turno da noite da Ambrosia. Aos fins de semana, suas fantasias se abatiam sobre ele. Dahmer estava preso na sala 648, onde passava a maior parte do tempo fumando, lendo materiais religiosos de forma voraz e ouvindo música clássica e sacra. Esses acontecimentos foram relatados por ele em uma entrevista concedida ao Inside Edition em 1993. Aliás, essa foi uma das famosas entrevistas concedidas por Dahmer na cadeia.

Psiquiatras, psicólogos, jornalistas foram até a prisão para conversar com o canibal de Milwaukee. Em fevereiro de 1994, Stone Phillips, jornalista na época da MSNBC, entrevistou Jeffrey Dahmer e seu pai, Lionel Dahmer. Lionel havia acabado de escrever seu livro, “Father Story”, que contava a história de Jeffrey desde a infância.


Jeffrey Dahmer abraça seu pai na ocasião em que foi entrevistado por Phillips. "Perdoe-me pai, sinto muito. Te amo muito", disse Jeffrey a Lionel.
A entrevista pode ser vista legendada aqui.

Joyce Flint, mãe de Jeffrey Dahmer, também deu entrevista ao jornalista. Ela estava ao lado de sua advogada, que a conduzia pelos assuntos que devia ou não tocar. Joyce expressou pesar pelas vítimas e pela juventude desperdiçada de seu filho. Ela também reclamou das declarações de Lionel, que, de certa forma, parecia querer colocar a culpa sobre ela.

Joyce e Lionel foram entrevistados em ocasiões diferentes. A mãe de Dahmer relutou alguma s vezes em responder as perguntas de Stone.

Apesar da bizarrice de seus crimes, Jeffrey Dahmer recebia diversas cartas de admiradoras secretas ou não. Uma delas chamava-se Deborah Heasman, que enviou cartas para o canibal. Deborah disse: “Ele pareceu para mim um ser humano que tinha uma doença. Foi horrível o que ele fez, não se pode esquecer, é claro, mas existia um outro Jeffrey Dahmer. Eu sentia que ele era uma pessoa muito boa.”

Após sua prisão, Jeffrey Dahmer passou a culpar sua descrença pelos crimes. Em entrevista para Stone Phillips, o serial killer afirma: “Eu acreditei que a mentira da evolução, a teoria da evolução fosse verdade, que toda a vida surgiu do “lodo” e, quando você morresse, bem, acabou não havia mais nada... Então toda essa teoria depreciava a vida.” Lionel Dahmer é um cristão devoto e deu ao filho um extenso material sobre criacionismo, para que Jeffrey pudesse ler e refletir. Apartir daí, Jeffrey passou a nutrir o desejo de ser batizado em março de 1994. Roy Ratcliff, um religioso que pregava nas cadeias de Wisconsin, recebeu duas cartas de Jeffrey Dahmer onde ele expressava o desejo de ser batizado. O primeiro encontro entre os dois ocorreu em abril de 1994. Jeffrey estava aparentemente nervoso. Ele acreditava que o religioso poderia se negar a batizá-lo, mas ficou aliviado depois que viu que Roy estava aberto à conversa.

“Quando concordei em batizá-lo ele deu um grande suspiro de alívio, porque na verdade ele temia que eu dissesse: ‘Eu não posso batizá-lo por que seus pecados são graves demais, são terríveis demais, seus pecados são imperdoáveis’. Mas isso violaria tudo o que eu acredito e eu jamais diria isso. Jesus Cristo veio para salvar os pecadores e Jeffrey Dahmer era um pecador, era simples assim!”

Jeffrey Dahmer chegou a entregar para o religioso um cartão no dia de ações de graças, dizendo que estava grato por tudo o que o religioso havia feito por ele.

10 de maio de 1994 foi um dia com muitos eventos: O serial killer John Wayne Gacy, conhecido como “Palhaço Assassino” era executado por injeção letal em Crest Hill, Illinois. Gacy havia matado, pelo menos, 33 rapazes jovens, enterrando seus corpos sob o soalho de sua casa e sob sua garagem. “Beije minha bunda”, foram suas últimas palavras.

Nesse mesmo dia, mais cedo, ocorreu um eclipse solar anular. Apesar das nuvens que cobriam o céu, o eclipse foi visto em diversos locais.

Quase na mesma hora em que John Gacy era executado, na Prisão Estadual de Wisconsin, Roy batizava Jeffrey Dahmer em uma banheira, durante uma cerimônia acompanhada por dois guardas prisionais. Roy disse à Dahmer, “Seja Bem vindo à família de Deus” e Jeffrey sorriu agradecendo. Muitos criticaram, tanto Dahmer, quanto o religioso. Para alguns, Jeffrey queria apenas passar a imagem de “bom moço”, uma vez que conversões falsas no interior da prisão são comuns, como uma forma de demonstrar remorso, arrependimento ou mudança. Exemplo disso foi visto no caso de Myra Hindey, em que Lord Longford, que iniciou uma grande campanha pela liberdade condicional de Hindley, frisou o fato dela voltar ao catolicismo romano como um sinal de mudança. Myra, porém, faleceu aos 60 anos, em 2002, vítima de pneumonia, sem conseguir sua tão almejada liberdade. Outras críticas foram dirigidas ao próprio Roy. Será que ele não sabia que Dahmer, provavelmente, queria apenas passar a imagem de “rapaz arrependido”? No entanto, Roy apenas fez seu papel como Pastor, seguindo aquilo que acreditava. Ele não poderia negar o batismo a ninguém, mesmo que essa pessoa não fosse sincera. Após a experiência de 17 meses de encontro com o serial killer. Roy Ratcliff escreveu o livro “Dark Journey, Deep Grace”, onde ofereceu uma série de noções sobre o que acontece com almas batizadas. Nada sobre a perspectiva de vida de Dahmer está no livro, o que, ao estudo do caso, não tem nenhum peso. Roy disse: “Eu o conheci e era um cara legal e decente. Ele estava pronto para encontrar seu criador. Eu acredito que ele esteja nas mãos de Deus.”

Durante as cerimônias religiosas com Roy Ratcliff, Jeffrey Dahmer sempre levantava a questão sobre a morte. Sua duvida era se sua vida não seria um “pecado contra Deus”. No dia 23 de novembro de 1994, os dois se reuniram e lerem um texto extraído do apocalipse, que o próprio Dahmer havia escolhido. Esse seria o último encontro entre Dahmer e o pastor.

A Morte de Jeffrey Dahmer.

Dahmer sofreu uma tentativa de assassinato enquanto rezava na capela da prisão, no dia 3 de julho de 1994. Um traficante de drogas cubano, que nunca havia visto antes, tentou cortar sua garganta com uma lâmina de barbear amarrada a uma escova de dentes. O traficante o havia seguido, esperando o momento certo para atacá-lo. Jeffrey sobreviveu ao ataque apenas com alguns cortes superficiais e as autoridades o colocaram em isolamento temporário. Dahmer, porém, insistiu para que fosse, novamente, colocado junto com outros presos e se negou a prestar queixa de agressão e tentativa de assassinato. A cada domingo, a noite, Joyce Flint se comunicava com o filho. Ela sempre perguntava se Jeffrey estava seguro e Dahmer sempre dizia que não se importava. Não se importava se algo acontecesse com ele. Uma declaração semelhante foi feita por Dahmer ao Detetive Dennis Murphy: “Irei conviver com outros presos agora. Estarei morto em cerca de 6 meses. Se alguém me atacar, não irei me defender.”

Jeffrey Dahmer era um prisioneiro modelo e, por várias vezes, trabalhou como zelador ou realizando faxinas na prisão. No dia 238 de novembro de 1994, Jeffrey foi encarregado de lavar o banheiro do ginásio de esportes penitenciário. Junto a ele, havia dois outros presos tidos como de alta periculosidade: Christopher Scarver, um homem negro, alto e forte, nascido em 1969. Christopher havia sido diagnosticado com esquizofrenia e psicoses e cumpria pena por homicídio em primeiro grau, após assassinar a tiros Steve Lohman, 27 anos de idade. O outro prisioneiro era Jesse Michael Anderson, de 37 anos, um branco condenado por esfaquear 23 vezes sua mulher. Jesse havia se declarado inocente e pós a culpa em um homem negro.

A limpeza decorria bem, até que, misteriosamente, os três guardas que tomavam conta dos presos misteriosamente sumiram. Sacarver apanhou uma barra de musculação, golpeou Dahmer na cabeça, esmagando-lhe o crânio. Depois foi atrás de Jesse Anderson, que foi golpeado gravemente próximo à um chuveiro. Após 20 minutos, os três policiais responsáveis pela vigia retornaram e encontraram Dahmer caído, com um profundo ferimento na cabeça. Ele foi levado para o hospital, mas foi declarado morto às 9:11 da manhã, ainda na ambulância. Jesse Anderson ainda sobreviveu por dois dias, vindo a óbito no hospital. As lesões provocadas na cabeça de Jeffrey Dahmer foram tão intensas que os peritos a compararam com as lesões sofridas em um acidente de carro.

Christopher Scarver alegou ter escutado a “voz de Deus” ordenando que Dahmer fosse morto, mas talvez a motivação para o ataque tenha tido motivações raciais. A maioria das vítima s de Jeffrey Dahmer eram negras e Jesse havia posto a culpa do assassinato de sua esposa em um homem negro. Uma vez, Sacarver havia dito que achava “todas as ações dos brancos para com os negros injustas”, em contrapartida, documentos do sistema prisional atestavam que Scarver acreditava ser o filho escolhido de Deus, o que corroborava com sua teoria.


O esquizofrênico Christopher Scarver acreditava ser um enviado por Deus para assassinar o demônio "Jeffrey Dahmer".

Jeffrey Dahmer sempre desejou a pena de morte, para sua infelicidade, abolida no estado de Wisconsin. Provavelmente, ele nem reagiu quando Christopher o atacou. Jesse Anderson tinha inúmeros sinais de defesa nos braços, enquanto Dahmer só tinha lesões na cabeça. Aparentemente, as últimas palavras de Jeffrey Dahmer foram: “Eu não me importo em viver ou morrer, vá em frente, me mate!” Uma coincidência macabra foi o fato de Dahmer ser morto com uma barra usada para musculação, mesmo objeto usado para matar sua primeira vítima, em Ohio.

Como na ocasião da prisão, Lionel Dahmer soube da morte do filho por intermédio de sua esposa, Shari. Ele ficou paralisado, sentado em seu escritório. Olhando para o nada. Joyce Flint disse: Agora todos estão felizes, né? Agora que ele foi espancado até a morte, isso deve ser suficiente para todos.


A revista People Week de 12 de dezembro de 1994 trás a matéria sobre a morte do serial killer.

As reações pela notícia da morte de Dahmer foram diversas. Se alguns lamentavam o fato, alguns parentes das vítimas “comemoraram” o fato.

Um amigo de Edward Smith disse a um programa de Tv; “Eu gostei, fiquei contente. Pensei ‘Já vai tarde, ainda bem que acabou’. Era o mínimo que ele merecia por ter levado meu amigo. Ele não merecia viver depois disso.”

O irmão de Richard Guerrero, Jenie Hagen disse: “Estou feliz e bastante satisfeito por esse monstro finalmente ter morrido, o demônio se foi”.

Diferente de Theresa Smith, irmã de Edward Smith, que demonstrou pesar pela morte de Dahmer. Ela havia visitado o assassino do irmão oito meses antes da morte: “Eu não pude parar de chorara quando eu escutei a notícia. Chorei pela família, chorei por ele. Ele não deveria ter sido morto dessa forma”.

Os rumores sobre a cumplicidade dos guardas da prisão na morte de Dahmer começaram a correr. Muitos acreditavam que Dahmer e os outros dois presos foram deixados sozinhos de propósito. Em 2004, o testemunho de um homem identificado apenas como “Robert”, corrobora com essa teoria. Segundo Robert, que trabalhava na prisão na época, o socorro demorou cerca de 40 minutos para Dahmer. Após Dahmer ter sido levado em uma ambulância, um oficial afirmou: “Estou feliz que ele tenha sido ‘ferrado’”. Nenhum guarda foi responsabilizado por abandonar três presos sozinhos (principalmente perto de objetos que serviriam perfeitamente como armas), pelo contrário, um dos guardas se aposentou meses depois... Aos 40 anos de idade. Depois do assassinato de Dahmer, foi proibido nas cadeias dos Estados Unidos o uso de pesos soltos.

O corpo de Dahmer foi levado ao necrotério. O patologista Robert Huntington, comentou o fato “sinistro” do corpo ter sido algemado à mesa, que, segundo ele, seria devido ao “medo tremendo” que sentiam dele. Na verdade, a explicação para isso pode ser mais simples do que parece: Quando alguém morre atrás da grade, mesmo que a morte seja decorrente de alguma doença, o corpo fica sob custódia do Estado. Ele é algemado e levado para um hospital, onde a morte é declarada. Depois o corpo é levado para o necrotério, onde se realiza a necropsia. Se a autopsia não pode ser realizada o mais rápido possível, o corpo permanece algemado. Os grilhões só são retirados no momento em que se enterra o morto. Isso impede que o cadáver seja removido ilegalmente.


Cadáver sob custódia.

Após a morte de Dahmer, outras batalhas foram travadas pelos familiares de Jeff, dessa vez, uma batalha entre o pai e a mãe do serial killer. Joyce pediu para que o cérebro o filho fosse retirado e enviado à cientistas, para ser estudado. Ela acreditava haver uma deformidade responsável pelo comportamento destrutivo do filho. Lionel foi contra. Para ele, não adiantava analisar o cérebro de uma pessoa morta, somente de alguém vivo. Lionel também teve medo de que a analise do cérebro transformasse o caso em um circo novamente, o que parecia bem provável de acontecer.



Joyce Flint acreditava que havia agoma anomalia física no cérebro de Dahmer que poderia explicar seu comportamento. Exames no entanto demonstraram que o órgão era normal. Lionel foi contra os exames, uma vez que temia que isso iria transformar o caso em um crico.

Por um ano o cadáver de Dahmer ficaria sob custódia. O juiz decidiu pela vitória de Lionel, e o cadáver e o cérebro de Dahmer foram queimados, conforme seu desejo contido em um testamento. Uma breve análise no cérebro revelou que, anatomicamente, não havia nenhuma anormalidade. Estudos mais profundos não foram realizados. Depois de um ano de brigas judiciais, Joyce recebeu metade das cinzas do filho. Lionel recebeu a outra metade que, segundo ele, estão guardadas até hoje.


Após Dahmer.

Outra batalha se iniciou entre as família das vítimas. Os pais de Konerak Sinthasomphone entraram na justiça contra o departamento de policia de Milwaukee. Representantes de 8 famílias de vítimas esperavam realizar um leilão dos instrumentos de Dahmer, o que se tornou uma situação controversa. Entre os materiais que seriam vendidos, estavam a geladeira onde pedaços de corpos foram armazenados, uma furadeira usada para se criar “zumbis” e inúmeros vídeos pornográficos. Um advogado representante das famílias, Thomas Jacob Filho, acreditou que os itens valeriam, pelo menos, 100 mil dólares. “Você pode se sentir tranquilo, sabendo que o dinheiro vai para as pessoas certas”.
Pode parecer bizarro, mas objetos usados em homicídios célebres, principalmente em casos de assassinatos em série, considerando a posição de celebridades conferida a criminosos infames em nossa sociedade, despertam o interesse de muitas pessoas, que colecionam tais itens, tais como armas do crime, declarações dadas pelo assassino, fotografias autografadas, miniaturas, cartões comerciais, desenhos e pinturas feitos na cadeia, e etc. Esse tipo de material “colecionável” muitas vezes é chamado de “muderabilia”, a junção da palavra murder (assassinato), com memorabilia (sourvernis). Um clássico exemplo disso, foram as pinturas feitas por John Wayne Gacy e vendidas pelo próprio serial killer. O carro de Ed Gein, outro serial killer ativo no Wisconsin, foi comprado e posto em exposição. “Até as alegadas aparas de unha de Lawrence Bittaker, o “Alicate” ou assassino da caixa de ferramentas” foram vendidas como um colecionável. Outros itens são expostos em museus, tais como a panela usada por Leonarda Chianciulli para transformar suas vítimas em sabão (exposta em um museu de criminologia, na Itália) e a bizarra cabeça decepada de Peter Kürten (exposta em um museu em Wisconsin). Existe um site especialista em venda de itens relacionados à crimes. O nome dele é Serial killer Ink, você pode acessá-lo clicando aqui.

É evidente que essa ideia não agradou a todos. A já citada acima Teresa Smith foi totalmente contra a ideia, pois para ela isso transformaria o caso em um “Circo dos Horrores”. Teresa se referiu ao dinheiro como “dinheiro de sangue”.

Um importante empresário de Milwaukee, Joseph Zilber, também ficou horrorizado com a idéia do leilão. Após o juiz permitir que os objetos do assassino fossem doados, o empresário reuniu amigos (outros empresários, políticos e pessoas com condições), num esforço para comprar todos os itens de Dahmer e destruí-los. O grupo conseguiu levantar uma quantia de 407,225 mil dólares, dinheiro repartido entre os familiares das vítimas. Todos os itens de Jeffrey Dahmer foram recolhidos e destruídos. Após uma triagem de cerca de 3 horas, o que havia sobrado foi mandado para um aterro sanitário localizado em Ilinois.

Joseph faleceu em 2010.


O Oxford Apartaments foi demolido em novembro de 1992. Atualmente, é um terreno baldio. Parentes de algumas das vítimas desejavam construir ali uma placa em memoria dos parentes mortos, mas até agora nada foi feito no local. Atualmente, o terreno foi comprado e se espera construir nele um jardim.



Demolição do "Oxford Apartaments" acompanhada por moradores de Milwaukee. Os apartamentos foram demolidos e atualmente há uma área desocupada no local.

Área onde estava localizado o "Oxford Apartaments". Espera-se construir no local um jardim.

Glenda Cleveland se tornou uma espécie de “heroína” da localidade, ganhando até mesmo algumas medalhas de honra por sua tentativa de salvar Konerak Sinthasomphone, como o título de cidadã modelo, recebido das mãos do prefeito de Milwaukee além de prêmios de honra de grupos locais. A mídia deu um enfoque em sua vida e repórteres invadiram sua casa. Glenda tratava a todos aqueles que queriam conhecê-la com boa vontade. Seu maior desejo, porém, era que tudo voltasse ao normal.

Glenda Cleveland faleceu devido a um problema cardíaco e pressão alta no dia 24 de dezembro de 2010, aos 54 anos de idade. Seu cadáver foi encontrado no interior de sua casa. Sem filhos, Glenda faleceu sozinha. Na parede de seu quarto, estavam algumas lembranças recebidas por ela na época da prisão de Jeffrey Dahmer.

Joyce Flint, mãe de Dahmer, tentou suicídio novamente, em 1994, depois que Lionel Dahmer ganhou a mídia com seu livro “A Father’s History”, onde Lionel transferia parte da culpa para Joyce e para si próprio. Joyce tomou diversos remédios para dormir e abriu o gás da cozinha. A mãe de Dahmer se sentia culpada pelo desfecho trágico que a história do seu filho tomou. A vida para Joyce foi bastante complicada. Seus problemas emocionais se intensificaram ainda mais após a prisão e morte de seu filho.


Joyce Annette Flint faleceu vítima de câncer, aos 64 anos de idade, em 27 de novembro de 2000 em Fresno, CA. Ela foi enterrada em um cemitério de Atlanta, Georgia.

A vida continuou difícil para Tracy Edwards. Ele teve diversos problemas com a polícia, principalmente em relação às drogas. Tracy acabou virando um sem-teto. Em julho de 2011, após 20 anos desde a sua escapada do cerco de Jeffrey Dahmer, Tracy Edward se envolveu em uma briga com outros dois sem-tetos: Timothy Carr 44 anos e Johnny (ou Jimmy ) Jordan, 43. A discussão acabou com Johnny Jordan sendo arremessado da ponte onde os três brigavam, morrendo em decorrência do afogamento. Tracy foi levado sob custódia após o incidente. Ele se declarou culpado e recebeu pena de 18 meses de prisão e mais 2 anos de liberdade vigiada.
O acabado Tracy Edwards, aos 52 anos foi acusado de homicídio após a morte de outro mendigo.

Paul Ksicinski, seu advogado afirmou que o encontro com Dahmer provocou sensações profundas na personalidade de Tracy e ele lutava contra o vício em drogas e o alcoolismo. A morte de Johnny Jordam apenas piorou sua situação. Ao final, Tracy se disse arrependido e declarou que “deveria ter se comportado melhor naquele dia”.


Lionel Dahmer continuou enfrentando acusações e os boatos que se espalhavam. ele foi criticxado por citar o nome de algumas das vítima s de seu filho em seu livro. Lionel desejava gastar o dinheiro ganho com as vendas do livro em pesquisas, mas isso não lhe foi possível. Parte do dinheiro foi doado para os parentes das vítimas. outra parte foi gasta com questões legais. Lionel Dahmer se aposentou e vive com sua esposa, Shari, em Medina, Ohio, Atualmente, tornou-se consultor de pesquisas sobre a questão evolução X criação.

Lionel Herbert Dahmer: "Jeffrey Dahmer nasceu sem aquilo que chamamos de consciência"

Shari Dahmer trocou contatos com a irmã de Edward Smith, uma das vítimas de Dahmer. Ambas as famílias buscavam consolar-se uma a outra. Segundo Lionel, Shari é muito boa em lhe dar com as pessoas. O casal Dahmer deu uma entrevista ao apresentador Lerry King, da CNN, onde ambos falam da convivência com Jeffrey Dahmer e do que ocorreu após sua morte. Segundo Dahmer, ele não tem vergonha de seu nome, mas as vezes usa nomes falsos em restaurantes, isso para evitar se tornar, mais uma vez, o centro das atenções. Um fardo que ele carregará por toda sua vida. A entrevista pode ser vista aqui.

O irmão de Jeffrey Dahmer, David, mudou seu nome, casou-se e teve dois filhos. Ele ainda tem contato com o pai. Seu endereço e sua nova identidade são mantidos em sigilo.

O caso Jeffrey Dahmer inspirou inúmeros filmes (entre eles Dahmer, de 2002 e "Secret life: Jeffrey Dahmer" de 1994), livros e documentários (Um deles, "Raising Jeffrey Dahmer", baseado em "A Father's History"). Dahmer também serviu de inspiração para músicos. A Banda de Grindcore "Macabre" gravou um álbum inteiro somente com músicas relacionadas a Jeffrey Dahmer. O canibal também é citado nas músicas de bandas como Slayer, Soufly e da cantora Ke$ha.

CD Dahmer, da banda macabre, gravado em 2000. O CD contém somente músicas sobre Jeffrey Dahmer, como "Jeffrey Dahmer and the Chocolate Factory" (Referência ao filme "A Fantástica Fábrica de Chocolates") "Apartament 213" e "Konerak".
Em 2012, quando acreditava-se que o Caso Dahmer estava guardado apenas na memória dos que se dedicam ao estudo de serial killers, os moradores de Milwaukee voltaram a ser perturbados pelo canibal. Primeiro, por que a casa onde Dahmer cometeu seu primeiro homicídio foi a leilão. Depois, por causa de um "tour" do terror por onde Dahmer havia atraído suas vítimas e as assassinado foi organizado pela Bam Marketing e ingressos chegaram a ser negociados com desconto pelo site Grupom. O presidente a Assossiação de Walker Point, Victor Ray, foi contra a ideia, argumentando que o caso é um tanto recente e muitos parentes das vítimas ainda estão por aí.:

"Eu só não acho que este é o momento certo. Uma excursão nessa área não é a coisa correta a se fazer. É sensacionalismo puro."

Ray recebeu dezenas de e-mails criticando o tour. Parentes das vítimas prometeram fazer uma manifestação caso o tour fosse realizado. Apesar de bizarro, não é incomum esse tipo de excursão por lugares onde crimes foram cometidos. O passeio mais famoso do tipo é feito em Londres, onde Jack o Estripador cometeu seus crimes.

O último desejo de Jeffrey Dahmer, além da morte, era ter suas perguntas respondidas. Entender o que se passava em sua mente conturbada. Como ele disse em entrevista, talvez tais perguntas nunca sejam respondidas. Provavelmente, a explicação para seu comportamento destrutivo morreu com ele.


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Fontes:Webgrafia:
O Aprendiz Verde; Murderpedia.org; The Daily Best - Secret of a Serial Killer; maamodt.asp (information aboult Jeffrey Dahmer); Crime and Investigation Channel; TruTV Crime Library; www.people.com; www.huffingtonpost.com; 

Videos: Twisted (Investigation Discovery); Jeffrey Dahmer - Stone Phillips interview (NSNBC Channel); Jeffrey Dahmer- Serial Killer (The trial of Jeffrey Dahmer). Lionel and Shari Dahmer interview (Larry King Live - CNN)

Bibliografia: Serial Killer- Louco ou cruel (Ilana Casoy); A Father History (Lionel Dahmer); 501 Most Notorious Crimes (Paul Donnelley).